Mato Grosso do Sul produziu 16,23 milhões de toneladas de milho na safra 2025/2026, com produtividade recorde de 115,21 sacas por hectare; município da região norte alcançou 158,43 sacas por hectare.

Mato Grosso do Sul encerrou a safra de milho 2025/2026 com produção de 16,23 milhões de toneladas, cultivadas em 2,348 milhões de hectares. Os números representam o melhor desempenho da série histórica do Projeto de Sistemas de Informações Geográficas do Agronegócio de Mato Grosso do Sul (SIGA-MS), tanto em volume produzido quanto em produtividade.
O levantamento final foi realizado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), com recursos do Fundems/Semadesc, e apontou produtividade média ponderada de 115,21 sacas por hectare.
Na comparação com a safra 2024/2025, quando foram colhidas 13,933 milhões de toneladas, a produção estadual cresceu 16,5%. A produtividade também avançou, passando de 108,42 para 115,21 sacas por hectare.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o resultado consolida a importância do milho segunda safra para a agricultura sul-mato-grossense, embora o desempenho varie entre as regiões produtoras.
Alcinópolis tem a maior produtividade do Estado
Na região norte de Mato Grosso do Sul, o destaque foi Alcinópolis, que liderou o ranking estadual de produtividade, com média de 158,43 sacas por hectare.
Na sequência aparecem São Gabriel do Oeste, com 151,53 sacas por hectare; Brasilândia, com 151,05; Rio Negro, com 150,48; e Chapadão do Sul, com 146,30 sacas por hectare. Costa Rica também apresentou resultado expressivo, com 144,84 sacas por hectare.
A região norte registrou produtividade média ponderada de 135,83 sacas por hectare, a maior entre as três regiões acompanhadas pelo SIGA-MS. Ao todo, foram cultivados 246.485 hectares, com produção aproximada de 2,01 milhões de toneladas.
Apesar de representar cerca de 10,5% da área estadual plantada com milho, o norte apresentou rendimento superior ao das demais regiões.
Maracaju lidera produção estadual
Quando o critério é o volume total produzido, Maracaju ocupa a primeira posição, com aproximadamente 2,55 milhões de toneladas colhidas em 323.822 hectares, e produtividade de 131,49 sacas por hectare.
Ponta Porã aparece em segundo lugar, com 1,54 milhão de toneladas, seguida por Sidrolândia, com 1,52 milhão, e Dourados, com 1,42 milhão de toneladas. Juntos, os quatro municípios responderam por aproximadamente 43% de toda a produção estadual.
O levantamento também destaca São Gabriel do Oeste, que produziu cerca de 766 mil toneladas e registrou produtividade de 151,53 sacas por hectare.
Os dados demonstram que os municípios com maior produção total nem sempre apresentam as maiores produtividades. Enquanto o volume colhido depende tanto da área cultivada quanto do rendimento por hectare, a produtividade mede a eficiência produtiva da lavoura em determinada área.
Produção superou estimativa inicial
No início do ciclo, o SIGA-MS estimava uma área de 2,206 milhões de hectares e produtividade de 84,2 sacas por hectare. Com base na média dos cinco anos anteriores, a produção projetada era de 11,139 milhões de toneladas.
Com o avanço do acompanhamento de campo, as estimativas foram revisadas. Em setembro, uma avaliação baseada em 354 levantamentos, correspondentes a aproximadamente 400 mil hectares, apontou produtividade média de 122,79 sacas por hectare.
O resultado consolidado de outubro confirmou produção de 16,233 milhões de toneladas, cerca de 45,7% acima da estimativa inicial. A produtividade final superou em aproximadamente 36,8% a projeção original.
A área cultivada também cresceu durante o acompanhamento da safra. O resultado final de 2,348 milhões de hectares representa expansão de 9,6% em relação ao ciclo anterior e corresponde à segunda maior área da série histórica do SIGA-MS, atrás apenas dos 2,355 milhões de hectares registrados em 2022/2023.
Chuvas e geadas influenciaram a safra
O ciclo 2025/2026 foi marcado por variações climáticas que influenciaram o desenvolvimento das lavouras e o calendário de colheita.
Em janeiro, grande parte do Estado registrou chuvas abaixo da média histórica. A regularização das precipitações ocorreu a partir de fevereiro, com volumes acima da média em diversas áreas.
Em março, as condições favoreceram o avanço do plantio, que alcançou 91,6% da área prevista até o fim do mês. A semeadura foi concluída em 1º de maio, aproximadamente uma semana depois do ciclo anterior.
Em maio, chuvas volumosas atrasaram o início da colheita em algumas regiões. Episódios localizados de granizo também atingiram lavouras em municípios como Deodápolis, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Itaporã, Ivinhema e Dourados, afetando aproximadamente 2.850 hectares.
No final de junho, geadas registradas na região sul-fronteira provocaram danos em lavouras que estavam nos estádios reprodutivos R3 e R4. A área atingida, entretanto, não teve estimativa consolidada.
A partir de julho, períodos com menor precipitação favoreceram o avanço das operações de colheita, concluídas em 9 de outubro de 2026, cerca de duas semanas depois do encerramento registrado na safra anterior.
Irrigação pode contribuir para maior produtividade
O levantamento também destacou a irrigação como uma tecnologia capaz de auxiliar no desempenho das lavouras, especialmente durante períodos de menor precipitação.
Além de Alcinópolis e São Gabriel do Oeste, municípios como Brasilândia, Selvíria, Aparecida do Taboado, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas apresentaram resultados relevantes de produtividade.
Segundo a análise técnica, o rendimento das lavouras depende de diferentes fatores, incluindo a distribuição das chuvas, a época de semeadura, as características do solo, o manejo e a tecnologia empregada em cada propriedade.
A irrigação pode reduzir a dependência exclusiva das chuvas, mas seus resultados também dependem da disponibilidade hídrica, do planejamento do sistema e das condições agronômicas locais.
O balanço final da safra confirma a força da produção de milho em Mato Grosso do Sul e evidencia o destaque da região norte, especialmente de Alcinópolis, que alcançou a maior produtividade estadual no ciclo 2025/2026.
Com informações do Projeto SIGA-MS / Aprosoja-MS.
