Safra de grãos de MS deve crescer 7,4% e chegar a 30,7 milhões de toneladas

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Em MS, cerca de 96% da área de milho havia sido colhida no início de setembro (Foto: Elza Fiúza, Agência Brasil)

A produção de grãos de Mato Grosso do Sul deve chegar a 30,71 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 7,4% em relação às 28,60 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior. Os números são do 12º Levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgado nesta terça-feira (15), a partir de pesquisa de campo realizada na última semana de agosto.

O avanço ocorre com aumento tanto da área cultivada quanto da produtividade. A área destinada aos produtos selecionados passou de 6,65 milhões para 6,89 milhões de hectares, alta de 3,8%. Já a produtividade média estimada para Mato Grosso do Sul subiu de 4.303 para 4.455 quilos por hectare, crescimento de 3,5%.

Com isso, MS apresenta crescimento superior ao registrado no conjunto do Centro-Oeste. A região deve produzir 180,49 milhões de toneladas, alta de 0,5%, em uma área de 37,89 milhões de hectares, 2,3% maior. A produtividade regional, por outro lado, recuou 1,8%, para 4.764 kg/ha. Mato Grosso deve produzir 115,51 milhões de toneladas, alta de 2,6%, enquanto Goiás tem queda de 10,8%, para 33,32 milhões de toneladas.

Soja e milho concentram a produção

A soja segue como uma das principais culturas da safra brasileira. Em todo o país, a área plantada cresceu 2,7%, passando para 48,61 milhões de hectares. A produtividade média aumentou 2,5%, para 3.711 kg/ha, e a produção chegou a 180,41 milhões de toneladas, alta de 5,2% sobre a safra anterior e recorde da série histórica da Conab.

Em Mato Grosso do Sul, a colheita da soja foi marcada por diferenças entre as regiões. O levantamento aponta redução do potencial produtivo nas áreas de colheita mais tardia do oeste, associada a chuvas irregulares no inverno e menor nível tecnológico em parte das lavouras.

O milho também tem peso importante no resultado estadual. No Brasil, a produção total está estimada em 144,01 milhões de toneladas, aumento de 2% em relação à safra 2024/25. A área cresceu 3,5%, para 22,60 milhões de hectares, mas a produtividade média caiu 1,4%, para 6.372 kg/ha.

A segunda safra, principal período de cultivo do milho no Centro-Oeste, ocupa 17,82 milhões de hectares no país e deve produzir 112,13 milhões de toneladas. Em MS, cerca de 96% da área de milho havia sido colhida no início de setembro. A Conab classificou os resultados como bons, embora com grande diferença entre os talhões, que registraram produtividades de cerca de 3 mil a até 10 mil kg/ha.

Algodão e trigo têm comportamentos diferentes

No algodão, a produção brasileira de pluma deve alcançar 4,14 milhões de toneladas, alta de 1,5%, mesmo com redução de 3,2% na área. A produtividade aumentou 4,9%, para 2.053 kg/ha, recorde da série histórica. Em MS, a colheita estava próxima do fim no levantamento, com o predomínio de tempo firme favorecendo os trabalhos nas regiões norte e nordeste.

O trigo apresenta cenário menos favorável. A produção nacional está estimada em 5,74 milhões de toneladas, queda de 27,1% em relação à safra de 2025. A área recuou 21,2% e a produtividade caiu 7,5%. Em Mato Grosso do Sul, a brusone provocou redução significativa do peso hectolitro dos grãos, com parte da produção classificada como triguilho. A doença atingiu principalmente áreas do sul e da fronteira, levando a Conab a reduzir a produtividade estadual em relação ao levantamento anterior.

O feijão também recua no país. A área total caiu 5,7%, para 2,54 milhões de hectares, e a produção está estimada em 2,95 milhões de toneladas, redução de 3,6%. A produtividade média, porém, aumentou 2,2%, para 1.161 kg/ha.

Safra brasileira bate recorde

No conjunto dos produtos acompanhados pela Conab, a safra brasileira 2025/26 deve atingir 361,72 milhões de toneladas, aumento de 2,6%, ou 9,24 milhões de toneladas, sobre as 352,48 milhões de toneladas da temporada anterior.

A área cultivada chegou a 83,45 milhões de hectares, alta de 1,7%, enquanto a produtividade média subiu 0,9%, para 4.335 kg/ha. O resultado de setembro representa ainda aumento de 0,3%, ou 967,5 mil toneladas, em relação ao levantamento anterior.

Entre as culturas que mais ampliaram a área estão a soja, com crescimento de 1,3 milhão de hectares, o milho, com 762,5 mil hectares a mais, e o sorgo, cuja área aumentou 32,9%. O sorgo deve produzir 7,35 milhões de toneladas, alta de 20,4%, apesar da queda de 9,4% na produtividade.

Entre as demais culturas, a Conab estima queda de 13,2% na produção de arroz, para 11,08 milhões de toneladas; redução de 44,2% no gergelim, para 340,9 mil toneladas; queda de 2,9% no girassol, para 97,5 mil toneladas; e alta de 21% na mamona, para 121,1 mil toneladas. Nas culturas de inverno, a produção de canola sobe 74,2%, enquanto trigo recua 27,1%.

Clima interfere no fim da colheita

O levantamento também aponta diferenças importantes nas condições climáticas. Em agosto, grande parte do Centro-Oeste recebeu menos de 40 milímetros de chuva, enquanto os maiores volumes na região ficaram concentrados no sul de Mato Grosso do Sul, com acumulados superiores a 40 milímetros. O tempo mais seco favoreceu a colheita de algodão, milho segunda safra, feijão terceira safra e trigo.

Em MS, as chuvas da primeira quinzena de agosto atrasaram pontualmente a colheita, sobretudo em municípios próximos à fronteira com o Paraguai. Depois, o tempo firme ajudou a acelerar os trabalhos, que já haviam superado 90% nos principais municípios produtores.

Soja terá exportação recorde

Além da produção agrícola, a Conab projeta forte movimentação para a soja brasileira. As exportações de grão devem alcançar 116,2 milhões de toneladas, novo recorde, enquanto o processamento deve chegar a 62,13 milhões de toneladas. O consumo interno de óleo de soja também deve atingir recorde, com 10,69 milhões de toneladas.

No milho, a Conab estima crescimento de 7,8% no consumo doméstico, impulsionado principalmente pela demanda da indústria de etanol. As exportações devem permanecer elevadas e os estoques finais são estimados em 15,65 milhões de toneladas.

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