
Asteroide destruiria a Europa em eventual colisão, segundo exercício promovido pela Nasa • Foto: SCIEPRO/Getty Images
Pesquisadores chineses propuseram uma nova estratégia para impedir que um grande asteroide atinja a Terra. Segundo um estudo publicado na revista científica Space: Science and Technology, a técnica pode ser mais eficaz contra objetos com mais de 100 metros de diâmetro, desde que haja tempo suficiente para agir.
A proposta consiste em uma “detonação prévia à escavação”. Em vez de tentar apenas empurrar o asteroide para fora da rota de colisão ou destruí-lo completamente, a ideia é realizar uma primeira explosão para abrir uma grande cratera em sua superfície. Depois, uma segunda detonação aproveitaria essa cavidade para transmitir mais energia ao objeto, aumentando a eficiência do desvio.
Segundo os pesquisadores, métodos tradicionais, como o impacto de uma espaçonave contra o asteroide ou sua deflexão gradual, podem não ser suficientes quando há pouco tempo disponível antes da possível colisão.
“Os métodos tradicionais de impacto cinético ou de deflexão por força a longo prazo oferecem energia limitada e não conseguem realizar uma deflexão eficaz em curtos períodos de tempo”, afirmaram os autores do estudo.
Embora milhões de asteroides existam no Sistema Solar, apenas uma pequena parcela representa algum risco potencial para a Terra. Agências espaciais, como a Nasa, monitoram constantemente esses objetos e, até o momento, não identificaram nenhuma ameaça iminente.
Um dos casos mais conhecidos foi o do asteroide Apophis, que chegou a ser considerado uma possível ameaça durante uma aproximação prevista para 2068. Novas observações, porém, descartaram o risco de impacto.
Mesmo assim, a Terra já foi atingida por rochas espaciais no passado. Um dos episódios mais recentes ocorreu em 2013, quando um meteoro explodiu sobre a cidade de Chelyabinsk, na Rússia. A onda de choque provocou danos materiais e deixou centenas de pessoas feridas por estilhaços de vidro.
Os pesquisadores destacam que a estratégia foi desenvolvida com base em simulações e análises teóricas. O objetivo é oferecer uma alternativa para situações em que um grande asteroide seja identificado em rota de colisão com a Terra e haja pouco tempo para desviá-lo.
O estudo também ressalta que ainda existem poucas pesquisas abrangentes sobre como lidar com esse tipo de ameaça em cenários de emergência.
Em 2022, a Nasa realizou a missão DART, que conseguiu alterar a órbita de uma pequena lua de asteroide ao colidir deliberadamente uma espaçonave contra ela. O novo trabalho chinês, porém, busca soluções para objetos maiores e em situações consideradas mais críticas.