Escalada da violência no Norte de MS acende alerta para atuação de facções

Em Costa Rica, um homem foi morto na última sexta-feira (1º) após ser atingido por aproximadamente 12 tiros. A motivação do crime ainda está sendo apurada. (Foto: MS Todo Dia)

A sequência de homicídios registrada em cidades da Região Norte de Mato Grosso do Sul tem preocupado autoridades e moradores. Em pouco mais de duas semanas, ao menos nove pessoas foram assassinadas em ocorrências registradas nos municípios de Cassilândia, Paranaíba, Costa Rica e Chapadão do Sul. Embora cada caso possua circunstâncias próprias, parte das investigações aponta para a possível influência da disputa entre as principais organizações criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Além do número de mortes, outro fator que chama atenção é o grau de violência empregado nos crimes, muitos deles praticados com grande quantidade de disparos de arma de fogo e em locais públicos ou residências, aumentando a sensação de insegurança na região.

Ataque em Cassilândia matou pai e filha de 3 anos

O caso mais recente ocorreu no último sábado (1º), em Cassilândia, quando Márcio Aparecido da Silva Filho e sua filha, de apenas 3 anos, morreram após o veículo em que estavam ser atingido por diversos disparos de arma de fogo.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o atentado esteja relacionado à disputa entre facções criminosas. Dias antes do ataque fatal, Márcio havia sobrevivido a outra tentativa de homicídio e, posteriormente, teve seu nome divulgado em uma lista atribuída ao Comando Vermelho.

As circunstâncias do crime seguem sendo investigadas, mas a execução reforçou a preocupação das forças de segurança diante da possível expansão da guerra entre organizações criminosas para municípios do interior do Estado.

Execução e “tribunal do crime”

Também em Cassilândia, no dia 27 de julho, Gustavo Loschiavo Araújo, de 29 anos, foi executado a tiros.

Após o homicídio, perfis ligados ao Comando Vermelho publicaram nas redes sociais a fotografia da vítima acompanhada da palavra “eliminado”, prática que vem sendo utilizada por integrantes da organização para reivindicar ataques ou intimidar rivais. Publicações semelhantes também foram feitas envolvendo outros nomes apontados pelos próprios administradores desses perfis como integrantes da facção rival.

Paranaíba teve três mortes em dez dias

A violência também aumentou em Paranaíba.

No dia 19 de julho, Patrícia Norberto da Silva, de 36 anos, e seu filho, Kaique Flavino Audilino, de 20, foram assassinados a tiros dentro da residência da família.

Dez dias depois, outro homicídio foi registrado na cidade. Um homem foi morto enquanto dormia, atingido por cerca de 12 disparos.

Até o momento, a Polícia Civil não confirmou ligação entre esses crimes e a atuação de facções criminosas, mas investiga todas as circunstâncias.

Costa Rica e Chapadão do Sul também registraram assassinatos

Em Costa Rica, um homem foi morto na última sexta-feira (1º) após ser atingido por aproximadamente 12 tiros. A motivação do crime ainda está sendo apurada.

Já em Chapadão do Sul, um segurança foi assassinado no dia 25 de julho. Dias antes, outro homicídio já havia mobilizado as forças policiais do município, aumentando a preocupação com a sequência de crimes violentos na região.

Facções ampliam atuação no interior

Além da sucessão de homicídios, levantamentos recentes apontam para o fortalecimento da atuação de organizações criminosas em cidades do interior sul-mato-grossense.

Dados divulgados pelo Campo Grande News mostram que, entre 2025 e 21 de julho de 2026, foram registrados 13 casos envolvendo adolescentes em ocorrências relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

Segundo o levantamento, houve cinco episódios em 2025 e oito somente em 2026.

Os registros apontam adolescentes atuando em diferentes funções dentro das organizações criminosas, incluindo:

  • executores de homicídios;
  • informantes;
  • transporte de armas;
  • condução de motocicletas utilizadas em crimes;
  • além de jovens que também passaram a ser alvos da disputa entre facções.

A participação crescente de menores de idade evidencia um processo de recrutamento que preocupa as autoridades de segurança pública.

Redes sociais passaram a ser usadas como instrumento de intimidação

Outro aspecto que chama atenção nas investigações é a utilização das redes sociais por perfis atribuídos ao Comando Vermelho.

Nos últimos dias, passaram a circular listas contendo fotografias, nomes, apelidos e cidades de pessoas apontadas pelos próprios administradores dessas páginas como integrantes do PCC.

As publicações são acompanhadas de ameaças e, em alguns casos, de imagens de vítimas já assassinadas.

Entre as cidades citadas nas listas estão Cassilândia, Inocência e Miranda.

Até o momento, porém, não existe confirmação independente de que todas as pessoas mencionadas tenham efetivamente ligação com organizações criminosas. Essa identificação parte exclusivamente dos perfis responsáveis pelas postagens.

Sejusp afirma que monitora publicações

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que acompanha permanentemente as publicações feitas por perfis ligados a organizações criminosas.

Segundo a pasta, esse tipo de conteúdo é monitorado pelas forças de segurança e, até o momento, não representa uma ameaça relevante à segurança pública do Estado.

Apesar da manifestação oficial, a sequência de homicídios registrada em diferentes municípios em um curto intervalo de tempo mantém em alerta as forças policiais, que continuam investigando a possível conexão entre os crimes e o avanço da disputa entre facções criminosas no interior de Mato Grosso do Sul.

(*) Com informações do Campo Grande News

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