
Cosmético é conhecido como ‘batom mágico’ e muda de cor ao tocar na pele. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)
Uma idosa de 60 anos ficou internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital, neste fim de semana, após usar um batom vendido por R$ 1 no Centro de Campo Grande. O caso ocorreu na tarde do último sábado (18), quando a idosa fazia um passeio com sua irmã pela Capital.
Ela relata que pegou um ‘batom mágico’ — de cor verde, mas que muda a tonalidade para rosa quando aplicado sobre a pele — e testou em sua mão. No entanto, como não era o que queria, devolveu o produto à prateleira. Em seguida, ela levou a mão ao rosto para arrumar o cabelo, quando teria resvalado em seu olho.
A partir desse momento, ela começou a ter reações ao produto. Seu olho começou a inchar, o que foi percebido por sua irmã. Depois de saírem da loja e andarem alguns metros, a idosa começou a passar mal, com alteração na pressão e na diabetes, além de falta de ar.
Ela foi levada por sua filha a um hospital, onde recebeu diversas injeções e medicamentos. A idosa permaneceu internada na UTI durante o fim de semana, sendo liberada apenas na manhã desta segunda-feira (20).
Ao Jornal Midiamax, a senhora contou que não fez nada de diferente naquele dia e também não costuma comprar produtos de origem que não conhece. “Não como coisa da rua, tenho medo. [Não compro] nem perfume, só uso o que conheço”, explica.
A reportagem foi às ruas nesta segunda e identificou o ‘batom mágico’ sendo comercializado em uma loja do Centro por apenas R$ 1. Segundo uma vendedora do local, o produto “sai bastante” e é procurado, principalmente, por mulheres mais velhas.
Além disso, o batom seria fabricado no Paraguai e importado ao Brasil. A origem dos produtos é um dos principais pontos de atenção, segundo a dermatologista Morgana Boeno Volpato.
“Os produtos falsificados não passam por controle de qualidade como os originais. Portanto, não podemos identificar se existe algum componente tóxico, alergênico ou que seja nocivo à saúde da pele”, explica.
Para garantir a segurança, é necessário conferir se o produto tem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que realiza diversos procedimentos para verificar a qualidade dos cosméticos. Embalagem, rótulo, consistência e cheiro podem ser alguns indicativos da procedência da maquiagem ou de outro produto.
O Jornal Midiamax também foi ouvir a população quanto ao uso de produtos desconhecidos e potencialmente perigosos. A aposentada Maria José do Prado, de 70 anos, afirma que não compra aquilo que não conhece e, inclusive, já ouviu história semelhante à da idosa com o batom.
“Eu não compro do que eu não conheço, porque a pele da gente é sensível e precisamos nos cuidar. Já ouvi falar de gente que passou mal desse jeito, então, desde novinha, eu me cuido bem”, contou. Além disso, apesar do baixo custo, ela não costuma comprar produtos de origem paraguaia, dando preferência aos originais vendidos em farmácias.