Ladrões deixam rede elétrica e passam a furtar fios de veículos em oficinas

CGNews/ML

Celso Machado mostra a quantidade de fios acumulados para venda que podem ser furtados (Foto: Maya Severino).

Na Rua Estevão Capriata, no Jardim Paulista, em Campo Grande, o alvo mudou. Vizinhos ao Terminal Morenão e cercados por mecânicas, ferros-velhos e lojas de peças para carros e caminhões, comerciantes que antes sofriam com furtos de fios da rede elétrica agora dizem enfrentar outro tipo de prejuízo: o roubo de chicotes e sistemas elétricos de veículos.

Por anos, segundo empresários da região, a principal dor de cabeça eram os furtos de fios de energia, especialmente por causa do cobre. A rede elétrica passou por troca em alguns pontos e recebeu identificação informando que não há material de valor comercial. Com isso, os comerciantes relatam que os furtos não acabaram, apenas mudaram de endereço. Agora, o cobre mais cobiçado estaria dentro dos automóveis.

Luciano Tabosa, de 47 anos, trabalha há 25 anos no mesmo ponto. Ele conta que já teve o comércio invadido algumas vezes e que hoje a atenção maior está nos veículos parados na rua. “Se deixar o carro cinco dias aí, pode crer que vai ficar sem os fios dele. Eles passam, olham e, quando percebem que o carro está parado, arrancam”, afirma.

Segundo Luciano, o horário de maior risco costuma ser de madrugada. “Três horas da manhã é a hora que eles andam. Se começa a atacar, eles entram e levam tudo. Ferramenta eu guardo, eu levo, porque senão acabam com tudo”, diz.

A mudança também alterou a rotina dos empresários. Em vez de proteger apenas ferramentas e equipamentos, alguns passaram a guardar em locais mais fechados peças elétricas retiradas dos veículos dos clientes.

Andrei Rodrigues dos Santos, de 34 anos, está há dois anos na região e diz que mantém câmera, serpentina e vigilância com apoio de vizinhos. Ele explica que os fios dos veículos são procurados justamente por conterem cobre. “Eles vão nos fios, como se fosse fio de energia. Onde tiver fio, saem puxando, arrebentando tudo”, relata.

O prejuízo, segundo ele, pode ser alto porque os chicotes automotivos não são apenas um amontoado de fios. São peças específicas, usadas no sistema elétrico dos veículos. “Às vezes dá R$ 5 mil, R$ 7 mil, R$ 10 mil em fio. Já cheguei a vender R$ 15 mil fácil”, afirma, ao se referir ao valor acumulado de peças e cabos usados no comércio.

Com 27 anos de trabalho na Rua Estevão Capriata, Celso Machado, de 62 anos, também diz ter mudado a forma de armazenar material. Ele conta que já teve o relógio de energia furtado no passado e que hoje mantém os fios de veículos em área mais protegida.

“Primeira coisa, a loja tem que ter estrutura para fechar bem. Mesmo assim eles pulam. Esses dias o vizinho me ligou de madrugada, duas horas da manhã, porque tinha alguém pulado aqui do lado”, relata.

Celso afirma que evita deixar grande quantidade de material acumulado por medo de furto. Segundo ele, o quilo do cobre limpo pode passar de R$ 50, enquanto o fio ainda com revestimento costuma ser vendido por valor menor a terceiros.

A região é marcada pela concentração de comércios automotivos, o que explica o interesse por peças, cabos e componentes elétricos. Nas oficinas e ferros-velhos, o material faz parte da rotina de trabalho.

Os empresários ouvidos pela reportagem dizem que a situação ficou menos intensa do que em outros períodos, mas não desapareceu. A avaliação deles é que a troca da rede elétrica reduziu um tipo de furto, mas empurrou os criminosos para outros alvos.

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