Irã e Israel afirmam ter suspendido ataques em meio à pressão de Trump

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Irã e Israel anunciaram nesta segunda-feira (8) a suspensão dos ataques mútuos após um apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que parassem imediatamente de atirar.

No entanto, Teerã afirmou que retomaria os ataques caso Israel continuasse a atingir o Hezbollah no Líbano.

A onda de ataques das últimas 24 horas representou o confronto mais direto entre os países desde o cessar-fogo de abril, ameaçando comprometer os esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerã e encerrar a guerra que já dura mais de três meses.

Os preços do petróleo, que chegaram a subir 5% após a série de ataques, recuaram posteriormente, quando as forças armadas iranianas anunciaram o fim da primeira onda de ataques contra Israel. O dólar caiu de sua maior cotação em quase dois meses.

Uma fonte a par do assunto disse à agência de notícias Reuters que Israel também decidiu suspender seus ataques contra o Irã.

Israel atacou alvos iranianos depois que Teerã disparou mísseis contra o território israelense no final do domingo (7). Teerã afirmou que seus ataques foram uma retaliação aos ataques israelenses contra redutos do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, nos arredores de Beirute.

Um ataque israelense atingiu uma fábrica petroquímica no sudoeste do Irã, que, segundo o país, era usada para produzir mísseis balísticos. A IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) disse que retaliou com um ataque contra uma fábrica israelense semelhante na cidade de Haifa.

“Resposta dolorosa”

O quartel-general militar do Irã afirmou ter “dado uma resposta dolorosa” contra Israel por seus ataques ao Líbano, incluindo os ataques de domingo nos arredores de Beirute.

“Assim, declara-se a suspensão das operações das forças armadas; contudo, ressalta-se que, se as agressões e atos de vandalismo continuarem — inclusive no sul do Líbano —, ações muito mais severas e repressivas do que as anteriores serão tomadas.”

A troca de declarações complicou a pressão de Trump para encerrar a guerra, iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, e destaca a facilidade com que o conflito pode se transformar em uma confrontação regional mais ampla.

Um cessar-fogo anunciado em 8 de abril havia interrompido a guerra total, mas os confrontos no Golfo continuaram.

Pressão americana

Em uma publicação Trum afirmou, nesta segunda-feira (8), que Israel e Irã desejavam “um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a ‘paz’ estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem”.

Ele acrescentou que o bloqueio americano aos portos iranianos permaneceria em vigor até que um acordo final fosse alcançado.

Um oficial israelense disse que Trump conversou com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda nesta segunda-feira.

Anteriormente, um oficial militar israelense afirmou que Israel estava preparado para continuar as operações “pelo tempo que for necessário” e confirmou ataques a sistemas de defesa aérea iranianos recém-reconstruídos, além do alvo petroquímico.

Autoridades iranianas adotaram um tom igualmente desafiador. Uma fonte militar citada pela agência de notícias semioficial Tasnim disse que Teerã estava pronta para um conflito prolongado e poderia retomar os ataques contra interesses americanos na região.

“Suspeta extrema”

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã estava trocando mensagens com Washington em um clima de “extrema suspeita”.

As ações de Israel no Líbano, realizadas com ou sem o conhecimento e consentimento dos Estados Unidos, visavam sabotar a diplomacia, acrescentou ele.

Em Teerã, a mídia iraniana noticiou explosões nesta segunda-feira, com a defesa aérea abatendo um drone sobre a capital. Não houve relatos imediatos de vítimas ou grandes danos.

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, prometeram em um comunicado impedir a navegação marítima de Israel no Mar Vermelho e afirmaram ter disparado mísseis contra Israel.

Os houthis têm se mantido em grande parte fora do conflito regional. Eles controlam território na entrada do Mar Vermelho, cada vez mais importante como rota alternativa para milhões de barris diários de petróleo do Oriente Médio, atualmente bloqueados pelo controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

O oficial militar israelense afirmou que o Irã disparou “cerca de 30 mísseis balísticos” contra Israel desde a noite de domingo (7), e os Houthis, outros dois mísseis.

Israel afirmou ter atacado alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, utilizado para produzir e exportar matéria-prima para o programa de mísseis do Irã. Um funcionário provincial disse à mídia iraniana que partes da fábrica foram danificadas.

Ao menos 15 pessoas ficaram feridas em todo o Irã nos últimos ataques israelenses – 14 delas no condado de Mahshahr –, mas não houve relatos de mortes, segundo a Organização Nacional de Emergências do Irã.

O serviço de ambulâncias israelense informou que não houve vítimas fatais decorrentes dos lançamentos de mísseis contra Israel.

Negociações entre Líbano e Israel serão retomadas

Israel nunca interrompeu sua campanha no Líbano, que já matou milhares de pessoas, alegando que ela deve ser tratada separadamente de qualquer cessar-fogo com o Irã. O Hezbollah também continuou seus ataques.

Teerã afirma há tempos que qualquer acordo de paz com os EUA dependerá do fim dos combates no Líbano, país invadido por Israel em março, em perseguição a combatentes do Hezbollah que dispararam por meio da fronteira em solidariedade a Teerã.

O embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, afirmou nesta segunda-feira que as negociações libanesas-israelenses devem ser retomadas em Washington.

Teerã continua bloqueando a maior parte da navegação pelo Estreito de Ormuz, que transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra. Washington impôs seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Trump afirmou que qualquer acordo de paz deve impedir o Irã de desenvolver armas nucleares. As exigências iranianas incluem a interrução das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de sua influência sobre o estreito.

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