Nova fase de operação mira familiares de Marcinho VP e esquema financeiro do CV

Operação cumpre mandados no Rio de Janeiro e investiga estrutura financeira do grupo criminoso – Divulgação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (29), uma nova fase da Operação Contenção, com foco na desarticulação do braço financeiro do Comando Vermelho (CV). A ofensiva cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra investigados suspeitos de atuar na movimentação e ocultação de recursos provenientes do tráfico de drogas.

Entre os alvos estão familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, que cumpre pena em presídio federal em Campo Grande, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção. De acordo com o portal de notícias CNN, o rapper Oruam, a mãe dele, Márcia Nepomuceno, e o irmão, Lucas Nepomuceno, são considerados foragidos da Justiça nesta fase da operação.

Ainda segundo a CNN, um homem apontado como operador financeiro do grupo foi preso, suspeito de movimentar valores do tráfico e repassar recursos à família do líder da organização criminosa. Durante a ação, foram apreendidos bens como veículo e motocicleta.

Conforme o site UOL, a investigação, que se estende por cerca de um ano, identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro. Segundo os policiais, os valores eram distribuídos por meio de contas de terceiros, os chamados “laranjas” e posteriormente reinseridos na economia formal por meio de pagamentos, aquisição de bens e ocultação patrimonial.

As apurações também se baseiam em dados extraídos de dispositivos eletrônicos e no cruzamento de informações financeiras e telemáticas. Conversas interceptadas indicariam a participação de integrantes da facção na organização das transações e reforçariam o papel central de Marcinho VP, mesmo após quase três décadas de prisão.

De acordo com a Polícia Civil, ele continua exercendo influência direta nas decisões do grupo, incluindo o gerenciamento de recursos ilícitos.

Continuidade de investigações
Esta não é a primeira ofensiva recente contra a estrutura do Comando Vermelho. Em março deste ano, uma megaoperação também teve como alvo integrantes e aliados da facção, incluindo pessoas próximas à Marcinho.

Na ocasião, as investigações já apontavam a existência de uma rede de apoio responsável por manter a comunicação entre membros do grupo dentro e fora do sistema prisional, além de possíveis articulações políticas e logísticas.

As autoridades destacam que a Operação Contenção tem como objetivo enfraquecer a organização criminosa ao atingir não apenas seus integrantes armados, mas também sua base financeira e operacional. Desde o início da ofensiva, segundo o governo estadual, centenas de pessoas já foram presas e armas foram apreendidas.

As investigações seguem em andamento e novas prisões não estão descartadas.

Marcinho VP 
Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais chefes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais.

Em novembro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por meio da Vara de Execuções Penais, autorizou a renovação, por mais três anos, da permanência de Marcinho VP no sistema penitenciário federal.

Na decisão, o juiz afirmou que a manutenção de Marcinho VP no sistema federal segue necessária para dificultar articulações criminosas no Rio de Janeiro.

A decisão cita a megaoperação deflagrada em 28 de outubro de 2024 nos complexos do Alemão e da Penha, áreas consideradas reduto de Marcinho VP, para alertar sobre o “risco do retorno do apenado ao sistema penal do estado”.

O histórico de transgressões do líder do Comando Vermelho também foi apontado como motivo pela sua permanência.

A Justiça considerou que a lei permite a renovação do prazo de permanência por um novo período, caso permaneçam os motivos da transferência. No caso de Marcinho VP, o interesse coletivo de segurança pública.

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