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Compartilhar colírio pode causar 4 doenças nos olhos

Por Redação

Em 12 de março de 2026

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Você abre o armarinho do banheiro e não tem dúvida – Usa o colírio do avô que acabou de operar a catarata na maior despreocupação com a sua saúde e a dele. A cena é  recorrente no Brasil. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do  Instituto Penido Burnier os prontuários 850 pacientes do hospital mostram que 297 (35%) só buscaram por consulta depois de usar à vontade  colírio de algum familiar ou amigo. O comportamento é mais frequente no verão, estação da conjuntivite que se não for bem tratada pode causar ceratite (inflamação da córnea).

O oftalmologista afirma que colírio é medicamento individual e intransferível – cada pessoa deve ter o seu. Isso porque, explica, a lágrima e a superfície de nosso olho contêm bactérias, vírus e fungos que funcionam como    barreira para  proteger nossos olhos  do ambiente externo. Esta flora ou microbioma difere de uma pessoa para outra. Por isso, o compartilhamento  de colírio facilita  através do bico dosador da embalagem a contaminação cruzada – transferência do microbioma de uma pessoa para a outra.

Tipos de olho seco

“Diferente do olho seco evaporativo causado pelo uso excessivo de tela que é caracterizado por  disfunção nas glândulas que secretam a camada oleosa da lágrima, o olho seco após  uso indevido de colírios  é uma deficiência da camada aquosa. É provocada por fórmulas com corticoide que também  aumentam o risco de catarata. As   gotas com anti-histamínico para combater alergia também diminuiem a produção da lágrima, pontua. Estes colírios, comenta, embora sejam bem indicados após cirurgias nos olhos ou processos alérgicos,   desequilibram o microambiente da superfície ocular.

Isso significa que o uso de colírio lubrificante até melhora a ardência e  sensação de areia nos olhos. Entretanto o oftalmologista indica outros cuidados durante o tratamento para aliviar o sofrimento:

  • Use óculos escuros nas atividades externas;
  • Interrompa o uso de lente de contato;
  • Evite a exposição ao ar-condicionado;
  • Hidrate o corpo tomando  30 ml de água/quilo de seu peso.
  • Dê preferência aos colírios lubrificantes sem conservante.

Conjuntivite: Sintomas e tratamento

Queiroz Neto afirma que os tipos mais frequentes de conjuntivite causadas pelo uso indiscriminado de colírios são a viral  que tem secreção viscosa e a bacteriana caracterizada pela secreção purulenta. Vermelhidão,  pálpebras inchadas, dor e sensação de areia nos olhos são os sintomas em comum. O tratamento dura de uma a duas semanas, sendo mais longo na viral. O tratamento consiste em aplicar três vezes ao dia compressas frias na viral e compressas quentes na bacteriana para ajudar o olho expelir a infecção.  O uso de colírios só deve ser adotado sob prescrição médica. A dica  do especialista é ocluir o canto interno do olho a cada instilação para evitar efeitos colaterais sistêmicos.

Prevenção

Os principais cuidados preventivos  indicados pelo 0ftalmologista para evitar recaída são:

  • Mantenha as mãos limpas;
  • Não leve as mãos aos olhos;
  • Não compartilhe fronhas, toalhas, talheres;
  • Evite aglomerações;
  • Higienize teclados e se possível evite o compartilhamento;
  • Não use lente de contato e maquiagem durante o tratamento;
  • Caso  use lente de contato substitua por um par novo quando sarar.

Ceratite

O compartilhamento de colírio pode causar inflamação na córnea, lente externa do olho.  O principal sintoma é a diminuição da visão .Isso porque, ressalta,  a córnea responde por 60% de nossa refração. Portanto,  qualquer sequela nesta área do olho pode comprometer gravemente nossa capacidade de enxergar. Se a ceratite não for tratada corretamente leva à perda da visão. O tratamento depende do agente causador e da gravidade da lesão. Em alguns casos  pode exigir transplante de córnea.  Quando há perfuração, como já aconteceu com uma paciente após instilar um colírio impróprio, a melhor solução e colar a córnea e entrar com um pedido de urgência no banco de olhos para que não aconteça a perda do globo ocular.   Queiroz Neto afirma que todo cuidado é pouco para evitar complicações na córnea. Por isso quando você sentir um desconforto no olho consulte um oftalmologista. Como diz o ditado a prevenção é o melhor remédio, finaliza.

NM/AB

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