
Parte dos candidatos que realizaram o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2025 com o objetivo de obter a certificação do ensino médio relatam dificuldades para emitir o documento após a divulgação dos resultados em janeiro.
O problema ganha urgência porque as matrículas em instituições de ensino superior ocorrem neste mês de fevereiro. Pelas regras vigentes, o estudante precisa ter 18 anos completos e atingir, no Enem, 450 pontos em cada área do conhecimento, além de 500 pontos na redação, para ter direito ao diploma.
O impasse ocorre no momento em que o MEC (Ministério da Educação) reafirma a centralidade do exame. Em balanço oficial, o ministro Camilo Santana anunciou que, a partir de 2026, o Enem será formalmente a prova de avaliação da qualidade da educação básica no Brasil, em cooperação com as redes estaduais.
Apesar de o governo destacar o papel do exame na “certificação de conclusão”, estudantes afirmam que a estrutura para a entrega do documento falhou.
A agitação é visível nas redes sociais. Relatos de candidatos, especialmente no X, apontam que, embora as notas tenham sido publicadas, não há um sistema ativo para gerar o certificado digital ou físico.
Entre os grupos de alunos, circula a informação de que o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) planeja lançar um aplicativo para essa finalidade apenas em março —prazo que inviabiliza matrículas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) ou em faculdades privadas.
O vendedor Diogo Augusto, 21, pretende cursar psicologia na UMC (Universidade Mogi das Cruzes), instituição privada, na cidade onde mora. Ele concluiu o ensino fundamental, mas não chegou a frequentar as aulas do ensino médio.
No fim do ano passado, ele enxergou a possibilidade de ingressar no ensino superior por meio do Enem, quando foi anunciado que o exame poderia validar o diploma dele do ensino básico. Mas, assim como outros alunos, ele não consegue emitir o certificado a tempo das matrículas.
“Estou tentando pegar o diploma justamente porque não terminei o ensino médio. É basicamente perder o ano”, afirma Diogo.
Ele conta que as instituições certificadoras — como secretarias estaduais de educação e o Instituto Federal, que também validam o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) — não souberam orientá-lo. “Fui na secretaria e a pessoa nem sabia que existia essa opção de ensino médio pelo Enem. No Instituto Federal, também não sabiam”.
A insegurança é técnica: para efetivar a matrícula, a faculdade exige o diploma. Sem um documento oficial ou diretriz clara para as universidades, a vaga conquistada por Diogo e outros milhares de jovens permanece em risco. “Tenho que estar com o diploma na mão para a faculdade. O Inep não disponibilizou isso até agora.”
Padrões de certificação
Diogo não é o único a enfrentar esse dilema. Nas redes sociais, outros candidatos também reclamam que não conseguem emitir seus diplomas e muito menos informações de como proceder.
Segundo esses rumores na internet, o Inep teria dito que avisaria as universidades, mas a incerteza de conseguir efetivar a matrícula ainda assim toma conta.




Novas regras
Até 2025, o Inep elaborou padrões de aprendizagem para o ensino médio, visando justamente reconhecer as trajetórias individuais. O presidente do instituto, Manuel Palacios, destacou recentemente que o Enem passaria a cobrir todas as habilidades da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), motivando ainda mais os estudantes.
No entanto, a motivação citada pela gestão esbarra na ausência de canais de atendimento onde o sistema informatizado se encontra indisponível.
O Inep foi procurado para responder sobre o atraso na emissão dos certificados e sobre os relatos de desinformação nos órgãos conveniados (Institutos Federais e secretarias), mas não enviou resposta até o fechamento desta edição.
A reportagem também questionou a UMC e aguarda resposta.
CNN/AB









