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Emagrecedores do Paraguai viram ‘renda’ para estudantes de Medicina pagarem faculdade

Por Redação

Em 22 de janeiro de 2026

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Postagens no Instagram e WhatsApp. (Montagem/Jornal Midiamax)

Estudantes de Medicina — sem medo algum, como relatam os próprios — estão vendendo remédios emagrecedores como forma de ganhar dinheiro e pagar a faculdade no Paraguai. Além de oferecerem aos conhecidos, estão usando as redes sociais para divulgar os preços dos medicamentos. Assim, no período de férias, folga ou algum feriado, levam a encomenda contrabandeada do Paraguai ao Brasil.

Os relatos, que chegaram exclusivamente ao Jornal Midiamax, mostram que o livre-comércio começou em meados do segundo semestre de 2025. Lá da fronteira, alguns estudantes brasileiros fazem postagens mostrando o quanto o preço é vantajoso, mas sem conhecer qualquer procedência dos produtos.

‘Forma de se manter aqui estudando’, diz farmacêutico

(Jornal Midiamax/Arquivo Pessoal)

E o que reforça os depoimentos dos estudantes é que os próprios farmacêuticos locais confirmam as compras, relatando que muitos acadêmicos dizem, sim, estar levando os medicamentos ao Brasil para vender. Uma equipe de reportagem visitou os estabelecimentos. “É uma forma de se manter aqui estudando, daí se arriscam”, comenta um dos funcionários.

Diante do problema e do cenário que se desenha, o alerta vem das autoridades: o que pode começar como um crime de contrabando, pode evoluir para crime de saúde pública, cuja pena mais severa é de 15 anos, ainda mais por envolver descumprimento de medidas sanitárias e fornecimento de medicamentos sem receita.

“Realmente isso acontece, e acontece muito. Eles levam do Paraguai ao Brasil. Virou uma febre isso e muitos estão vendendo, revendendo, enfim. Tem um amigo meu que o amigo dele foi preso e está em casa, usando tornozeleira, também estudante de Medicina. Fiquei sabendo desse caso. Ele foi pego na BR [rodovia], e meu amigo não quer falar sobre o assunto. Todo mundo sabe, é algo que está acontecendo”, relata uma estudante de 34 anos, que cursa o 7° semestre de Medicina em Pedro Juan.

‘É como se tivesse vendendo um creme da Natura’, comenta estudante de Medicina

Medicamentos para emagrecimento apreendidos. (Divulgação, Choque)

De acordo com a estudante, todos que vendem comentam que a intenção é “ajudar a pagar a faculdade”. “O valor da mensalidade varia muito lá [no Paraguai], né, de faculdade para faculdade. E daí a galera tá vendendo para pagar, tem gente que até em período de aula vai levar o medicamento. É como se fosse venda de qualquer outra coisa, mas é da caneta emagrecedora, entendeu? Assim como vendem também eletrônico, celular, um monte de coisa”, explica.

A acadêmica fala que, entre os colegas que repudiam a atitude, o comentário é sempre o mesmo: virou uma febre. “É como se tivesse vendendo qualquer coisa, sei lá, um creme da Natura, entendeu? Virou uma febre mesmo. Postam no Instagram, fazem arte, arte com as canetas, com os valores, quais os tipos, e aí as pessoas vão encomendando e eles mandando. Ou então junta tudo e leva [para o Brasil] quando dá tempo. Nossa, antes das férias, era só abrir o Instagram que a gente via um monte de postagens dos colegas. Tem gente que ficava até explicando como aplicar”, conta.

Ao Jornal Midiamax, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) ressaltou que as fiscalizações estão sendo feitas de forma rigorosa nas rodovias de Mato Grosso do Sul e que, neste ano de 2026, as apreensões de medicamentos já passam de duas mil unidades, número que representa quase metade de tudo o que foi apreendido em 2025.

“A investigação pode evoluir, principalmente porque este tipo de crime envolve riscos de saúde, dependendo do alcance e impacto. Ou seja, o que começa com um contrabando pode evoluir para um crime contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal. O trâmite começa pela apreensão; depois, o medicamento vai para a PF [Polícia Federal] e o contrabandista responderá a todo um procedimento pelo crime”, ressalta o agente da PRF Fábio Sodré.

Vale lembrar: na quarta-feira (21), os medicamentos à base de tirzepatida, das marcas Synedica e TG, e de retatrutida, de todas as marcas e lotes, tiveram sua comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Esses produtos são popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras do Paraguai”.

Segundo a agência, esses medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e são vendidos — em perfis no Instagram — “sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa”.

A Anvisa diz também, em seu comunicado, que, por serem irregulares e de origem desconhecida, “não há garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade”, e, por isso, essas canetas emagrecedoras não podem ser usadas “em nenhuma hipótese”.

Midiamax

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