Brasil

Inadimplência alcança 8,7 milhões de empresas brasileiras, número recorde

Um número de empresas que não conseguiram pagar suas dívidas atingiu recorde no mês de outubro, apontam dados do Serasa Experian. O início da série histórica desse indicador é Janeiro de 2019.

A inadimplência atinge 8,7 milhões de companhias, resultando em um total de R$ 204,8 bilhões em valores devidos. Veja no gráfico a seguir o crescimento da inadimplência no último ano:

Os dados apresentados mostram ainda que a média da dívida por empresa também cresceu, atingindo R$ 23.658,74, resultado de uma média de 7,1 contas em atraso por CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). Em outubro do ano passado, a quantia média era de R$ 22.471,22, com 7,4 contas em débito por organização.

A situação mais crítica é a do setor de serviços, que concentra 54,9% do total de inadimplentes. Vale destacar no entanto que o setor também é o mais representativo da economia brasileira, representando quase 70% do PIB.

Os outros setores com mais inadimplentes são respectivamente Comércio (33%) e Indústria (8%). O Serasa conta ainda com as classificações Outros (3,1%) e Primário (0,9%).

PMEs sofrem mais

Segundo a economista do Serasa Experian, Camila Abdelmalack, fatores macroeconômicos estão pressionando o endividamento das empresas. “A desaceleração na concessão de crédito tem limitado a capacidade das empresas de renegociar dívidas e reorganizar suas obrigações financeiras, aumentando a pressão sobre o caixa. Paralelamente, o esfriamento da atividade econômica reduz a geração de receita”, diz.

A situação é mais grave entre as micro, pequenas e médias empresas, que “sentem mais rapidamente os impactos dos juros altos e das incertezas do cenário internacional”, segundo Abdelmalack. Do total de 8,7 milhões de companhias inadimplentes em outubro de 2025, 8,2 milhões pertencem a esta classificação. Juntas, somam R$ 184,6 bilhões em contas inadimplidas.

Inadimplência por região do país

A região Sudeste lidera o ranking nacional de inadimplência empresarial em termos de volume total, somando mais de 4,6 milhões de registros negativos. Logo atrás, destacam-se o Sul e o Nordeste, que apresentam números expressivos de empresas com contas em atraso, registrando 1,4 milhão e 1,3 milhão de CNPJs, respectivamente. Essas três regiões concentram o maior desafio para a recuperação de crédito no país devido à densidade populacional e econômica.

Os menores índices de empresas negativadas são encontrados no Centro-Oeste, com cerca de 755 mil ocorrências, e no Norte, que contabiliza aproximadamente 516 mil companhias no vermelho. Embora os números brutos nessas áreas sejam inferiores aos das demais regiões brasileiras, o cenário exige atenção para a saúde financeira dos negócios locais. Confira a seguir a distribuição detalhada por cada Unidade Federativa (UF):

IstoÉ