Para comemorar o Dia do Advogado, TJ/MS entrevista Dr. Irajá Pereira Messias

Advogado Irajá Pereira Messias. (Foto: Divulgação)

Como parte das comemorações da “Semana do Advogado”, por iniciativa da Presidência do Egrégio Tribunal de Justiça, o advogado Irajá Pereira Messias, que atuou ao longo de trinta e cinco anos na Comarca de Coxim e que hoje reside em Campo Grande foi entrevistado. A entrevista foi realizada no Museu do Judiciário, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em razão principalmente da iniciativa da servidora Zeli Paim, destacada funcionária daquela Corte, que também atuou no Fórum da Comarca de Coxim.

O advogado discorreu sobre a evolução das formas de atuação ao longo do tempo, desde a máquina de escrever até o computador e desde as audiências presenciais até aquelas feitas de forma virtual. Destacou o imenso progresso que se fez no comparativo com outras épocas da atuação profissional dos advogados, quando eram obrigados a se deslocar até o Fórum para protocolar uma petição e os tempos atuais, quando se faz isso e muito mais pela via de um computador.

O veterano advogado ressaltou que existe um “prejuízo” nessa atividade. E lastimou que, por esse caminho, o Direito perde muito de sua poesia e de seu lirismo. O contato entre as partes e entre o juiz e as partes se torna muito impessoal. E, especialmente na área penal, o juiz julga o fato e não a pessoa que é acusada. Perde o contato com as partes porque só vê o acusado em uma figura pequena e sem expressão alguma na tela de um computador, e, portanto, não pode sentir e aferir as suas emoções. Nem mesmo a sua natureza, ou a sua formação cultural e humana, ou seu ‘status’ econômico. Nada disso pode ser visto e avaliado.

O advogado relatou que estudou pelo Código de Processo Civil de 1939 até o quarto ano de sua formação jurídica e logo em seguida o Código foi completamente alterado em 1973. E esse Código durou até 2015, quando o atual entrou em vigor. O Código Civil, por sua vez, era o de 1916, que só foi alterado em 2002, quando o atual entrou em vigor. A legislação penal (Código Penal e Código de Processo Penal), conquanto tenha mantido os mesmos Códigos, foi sofrendo alterações graduais ao longo do tempo, com a supressão de alguns crimes e com o acréscimo de outros.

O advogado entrevistado lastimou também que o grande afluxo de profissionais, resultante de um imenso número de Faculdades de Direito no País (relatou que o Brasil tem mais Faculdades de Direito que todo o resto do mundo, somado), que joga um grande número de profissionais no mercado de trabalho. Deixou claro que não é a competição em si que o preocupa, mas a qualidade do trabalho, que vai perdendo a essência com o sacrifício da qualidade ética do trabalho do advogado, e, em razão do grande número de advogados despejados no mercado de trabalho, acaba por gerar uma competição selvagem onde muitos profissionais perdem o respeito ético uns pelos outros, gerando episódios lastimáveis de completa ausência de ética e de respeito mútuo.

Falou também sobre a excelência do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, onde os Juízes e Tribunais têm uma estirpe de magistrados de primeira linha, criados pelo rigor com que a Corte Estadual seleciona os seus juízes, sempre com rigor espartano e cuidando também dos preceitos éticos e zelando pela capacidade intelectual, o que faz uma magistratura de destaque em todo o cenário nacional.

A iniciativa visa homenagear a classe dos advogados, que têm comemoração no dia 11 de agosto, “Dia do Advogado”, que assinala também a data em que o Império Brasileiro criou os primeiros Cursos Jurídicos no Brasil, instalando as Faculdades de Direito de São Paulo e de Recife.

Fonte: Da assessoria

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