Veja a repercussão entre cantoras sul-mato-grossenses sobre a morte de Gal Costa

Cantoras de MS consideram voz da intérprete baiana uma unanimidade – DIVULGAÇÃO

Foi de supetão, sem aviso prévio, que o Brasil recebeu a notícia da morte de Gal Costa, aos 77 anos, em São Paulo, na manhã de ontem.

A cantora baiana, nascida em Salvador em 26 de setembro de 1945, 24 dias após o encerramento da Segunda Guerra Mundial, leva consigo o reconhecimento de ter se consagrado como uma das vozes mais importantes do País.

Musa da tropicália, movimento que renovou as artes em território nacional, especialmente a música, Maria da Graça Penna Burgos Costa, com sua potente e cristalina voz de soprano, é responsável por uma parcela significativa do que se entende, desde os anos 1960, como música popular brasileira MPB.

Ao longo de quase seis décadas de carreira, seus 43 álbuns lançados 31 de estúdio e 12 ao vivo passeiam por diversas vertentes, criando e recriando estilos, gêneros e tendências, desde o samba tradicional à música contemporânea, sem deixar de lado a bossa nova, o forró, o rock, o eletrônico e o funk.

Confira o que pensam e sentem oito cantoras sul-mato-grossenses de destaque.

ALZIRA E, 65 anos

“Ela foi um ícone da liberdade e da beleza dentro da música brasileira, das vozes mais belas do Brasil. É um legado da gente, de uma geração que nos acompanhou desde o início, que fez parte da nossa formação. Não tive a felicidade de estar com ela em algum momento. Estamos bem tristes”.

SOULRA, 27 anos

“O que mais me chama atenção, além da voz e da presença de palco, é a forma como ela dava nova vida às canções que interpretava. No meu repertório, nós fazemos ‘Tigresa’, do Caetano. Mas fazemos a versão da Gal, porque é outra coisa. A Gal carregava potência feminina até quando as músicas não falavam especificamente sobre isso. Ela por si só sempre foi essa força.

Também a admiro por ser uma grandiosíssima artista, comprometida e posicionada diante das pautas coletivas. O legado é incalculável para a música mundial e para todos os artistas, mas acredito que para nós, mulheres, ainda mais. Que bom que pude vê-la antes de morrer, no Festival de Inverno de Bonito [2019]. Assistir a um show era um dos meus objetivos de vida”.

ERIKA ESPÍNDOLA, 35 anos

“Confesso que não consegui absorver todo o lance da Gal ainda, uma artista como poucas. A voz dela é singular, consegue ser suave e agressiva como ninguém, é maravilhosa.

Eu tenho isso no meu trabalho também, a doçura e a agressividade na voz. Inspirou e vai seguir inspirando várias gerações”.

JUCI IBANEZ, 60 anos

“A minha história com a música popular brasileira começa com o tropicalismo e com a bossa nova. Então,

ela é uma das minhas maiores referências, como a Elis [Regina]. Comecei cantando músicas da Gal, que foram as maiores premiações que eu tive, porque minha voz era bastante aguda como a dela. Coisas como ‘Nada Mais’ e ‘Chuva de Prata’ fazem parte da minha vida. ‘Todo Amor que Houver Nessa Vida’, do Cazuza, com ela é muito linda. Essas não saem do meu repertório.

Se eu for falar tudo que eu gosto, vou te falar de toda a discografia dela. Gal era uma das maiores cantoras do Brasil e é uma referência para todas as cantoras. Vou guardar para o resto da minha vida a imagem dela no último show feito aqui em Campo Grande [em 16/10/2021, no buffet Ondara Palace] e agradecer a vida dela por trazer essa musicalidade lindíssima e inspiradíssima que ela nos deu”.

MÉRI OLIVEIRA, 41 anos

“Gal Costa é uma das vozes mais poderosas da música brasileira, não apenas por soar de uma maneira tão harmoniosa e gostosa em nossos ouvidos, mas principalmente por nos proporcionar emoções e sensações, além de nos fazer pensar e refletir, ao embalo de sucessos como ‘Brasil’, de Cazuza, ‘Modinha Para Gabriela’, de Tom Jobim, que é uma das minhas canções preferidas da vida, e por nos sensibilizar, e até levar às lágrimas, com ‘Um Gosto de Sol’, ao lado de Milton Nascimento.

É uma das minhas grandes influências, e não consigo encontrar palavras para expressar o real significado dessa mulher incrível para a música, para outras cantoras da minha geração e de gerações futuras. Gal é um fenômeno perene, enérgica, energética e serena, que nos inspira a cantar, ainda que com a voz embargada”.

KARLA CORONEL, 26 anos

“Pensei que era mentira quando vi a notícia. A Gal Costa é uma das minhas inspirações. Foi uma mulher com grandes clássicos que tocam gerações passadas até a minha e até agora. Acho que nunca vai se perder tudo que ela interpretou. É uma perda gigantesca para o Brasil, de uma grande referência para nós, mulheres, de uma mulher muito empoderada, à frente de seu tempo, sempre fazendo história. Eu queria muito ter ido em um show dela. Estava planejando para o ano que vem, infelizmente não mais. Vou ficar com os álbuns e com a voz na minha memória. Com tudo que ela fez, com aquela obra gigantesca que essa entidade representa para a gente”.

TETÊ ESPÍNDOLA, 68 anos

“A Gal sempre foi uma referência desde o começo para mim, desde a era dos festivais, da tropicália. E ela era uma referência maravilhosa de intérprete, em um patamar altíssimo. A gente teve um encontro muito rápido no Nordeste. Ficamos no mesmo hotel, mas não chegamos a conversar. Embora muito rápido, adorei tê-la conhecido pessoalmente. A voz dela era além de cristal. Ela tinha uma voz prata, prateada. A música que mais marcou a minha vida foi ‘O Amor’ [de Caetano Veloso], aquela do ‘ressuscita-me’ [lançada em 1981] porque a Elis Regina tinha morrido, isso estava tocando na rádio e foi uma época da minha vida incrível, no comecinho de 1982.

Sempre que escuto choro de emoção, porque tinha a ver com a morte nesse sentido. Ela descansou, ela fez a parte dela, fez uma carreira maravilhosa, cantou para c até o fim, estava no palco. O mais incrível é que ela gravou uma música do Dani Black [filho de Tetê], que se chama “Sublime” [do álbum “A Pele do Futuro”, de 2018]. Sinto que as vozes do Brasil estão em luto, eu estou aqui tendo de cantar no estúdio alguma coisa e amanhã tenho esse show [hoje, na Casa-Quintal Manoel de Barros] e quero oferecer totalmente a ela”.

ROSIMEIRE CORTEZ, 50 anos

“Gal é Gal. Ela foi um símbolo da contracultura, uma das melhores intérpretes brasileiras de todos os tempos, imbatível, voz inigualável. Um verdadeiro camaleão. Quando criança, ela já explorava sua voz, para se ouvir, para se conhecer, para explorar sua própria ressonância vocal.

A Gal teve várias fases, marcos vocais estilísticos e gêneros vocais, desde uma voz leve, soprosa, mais suave, até um tropicalismo com uma voz mais explosiva, com mais potência, mais metalizada, com distorções, com bastante energia, com extremo de agudos, bem diferente do início do seu trabalho. Porém, todos os ajustes vocais foram bem consolidados.

Há artistas que são lineares do começo ao fim. Já a Gal nunca se acomodou e sempre passou por gêneros variados sem perder a qualidade no seu trabalho. Ela sempre foi uma cantora inquieta e provocante, é um fenômeno atemporal. As minhas preferidas são ‘Meu Coração Vagabundo’, ‘Força Estranha’, ‘Juventude Transviada’, ‘Dia de Domingo’ e ‘Chuva de Prata'”.

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