
Uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e do Paraná prendeu uma mulher suspeita de realizar cirurgias plásticas clandestinas que resultaram na morte de pelo menos duas pessoas, segundo o delegado responsável pelo caso.
A suspeita, de 56 anos, foi detida em São Paulo após a morte de uma mulher trans. A investigada, que não teve o nome divulgado, foi presa preventivamente pela Polícia Civil na tarde de quinta-feira (20), acusada de homicídio de um de seus clientes. O C.A.S., morreu no dia 24 de outubro de 2024, na cidade paranaense de Ponta Grossa, informou o delegado da Polícia Civil do Paraná.
As investigações realizadas após o hospital informaram à polícia que “C” havia morrido na ocorrência de uma “cirurgia plástica ilegal”. Segundo o delegado, os levantamentos apontaram que o procedimento foi realizado por suspeita, que se apresentou como “bombadeira” – um termo que faz referência a pessoas que, mesmo sem qualquer formação médica, injetam silicone industrial no corpo de suas vítimas para fins estéticos.
A suspeita realizava procedimentos em diferentes estados do país e tinha como público-alvo pessoas trans e travestis, segundo a Polícia Civil paranaense. “Trata-se de um procedimento de altíssimo risco”, afirmou o delegado, acrescentando que as investigações indicam que a investigada “fazia esta prática o seu meio de vida”.
O procedimento custaria R$ 1.500 à vítima, segundo as investigações. O valor foi pago em quatro parcelas, entre setembro e outubro de 2024, e “C” morreu “após a aplicação de produto em um ambiente considerado inadequado para procedimentos médicos”, conforme nota da PC-PR. “Uma vez percebida a complicação no procedimento, a suspeita logo se evadiu do local, não deixando nenhuma informação sobre seu paradeiro ou sua identidade”, acrescentou o delegado.
A Polícia Civil também suspeita que outro procedimento prolongado pela investigação tenha vitimado outra mulher trans em 2019. As investigações indicaram que a suspeita já respondeu pela morte de outro cliente, identificada como NS, na comarca de Marília (SP), também em decorrência de um procedimento estético irregular.
A investigação está presa em São Paulo e deve prestar depoimento por videoconferência à PC-PR na próxima semana. Ela responde pelos crimes de homicídio e exercício ilegal da medicina e deve aguardar julgamento sob custódia. De acordo com o delegado, todas as informações divulgadas foram descobertas no curso das investigações.
Segundo a autoridade policial, a suspeita ainda não tem advogado constituído. O texto será atualizado caso haja novos posicionamentos de sua defesa.
Fonte: Midiamax, com informações do Portal UOL.