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17 de janeiro de 2021
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Campo-grandenses contam o que fizeram para ‘desligar’ vício em redes sociais

Você já se pegou rolando o feed das redes sociais por mais de hora e pensou que poderia ter gasto esse tempo com algo mais produtivo? Está ocupando todo seu tempo livre com a internet? Esta situação reflete a realidade de muitos sul-mato-grossenses e indica que a superconexão nas redes pode ser muito mais que apenas um “hábito ruim” ou “perda de tempo”.

A internet e redes sociais vieram para ajudar a nos comunicarmos com mais facilidade, mas com tamanha praticidade, principalmente adolescentes e jovens têm se tornado dependente dos eletrônicos e isso pode causar vícios semelhantes a qualquer outra droga. Sim, podemos estar diante de um novo estado de adicção, com efeitos semelhantes ao uso de drogas.

A psicopedagoga Glaucia Benini afirma que esse vício faz mal tanto quanto qualquer outro, pois o tempo exagerado nas redes sociais pode fazer com que a pessoas se desconecte da realidade e acaba deixando o físico de lado para viver somente daquela realidade. “Todo comportamento que traz prazer momentâneo acaba se tornando viciante”, comenta.

Detox virtual

Percebendo que as redes sociais estavam te desconcentrando e fazendo mal, a engenheira civil e empresária, Jerusa Borges de Araújo, de 27 anos, conta que decidiu se afastar do celular para conseguir ser mais produtiva no trabalho. Ela conta que não foi e não é fácil se afastar e que precisa atentar-se para não ficar o tempo todo em alguma rede social.

A estratégia de Jerusa foi determinar os horários: hoje em dia, ela só vê o celular quando acorda, no almoço e nas pausas do trabalho. Ela explica que hoje ela consegue entrar nas redes sociais de forma muito mais intencional, com objetivos e tempos determinados. Para facilitar, ela desativou todas as notificações, para ficar ainda mais distante. “Hoje já me concentro mais nas tarefas do dia e não procrastino e deixo tudo pra depois”.

A psicóloga Cláudia Malfatti explica que as pessoas usam as redes sociais, principalmente jovens e adolescentes, para fugir e não olhar para os próprios conflitos. “Saber da vida do colega por um lado pode parecer mais interessante, mas também aumenta a frustração, já que existe a comparação e sensação que a vida do outro é mais legal”

Ainda segundo a psicóloga, as redes sociais trazem muita ilusão, pois são apenas recortes da história da história de alguém e não a realidade na sua totalidade. E quem consegue perceber isso e já tentou se desconectar das redes sociais é a assessora jurídica Flávia Verruck, que sabe que este é um mundo a parte em que a gente acaba se comparando, seja no estilo de vida, estética e falsa impressão da vida perfeita do outro lado da tela.

Além de assessora jurídica, Flávia também possui uma conta no Instagram em que dá dicas de comidas, por conta disso tem muita dificuldade de se desconectar completamente. Mas mesmo com obstáculos, já conseguiu ficar um mês longe das redes sociais. “Quero diminuir as horas gastas nas redes sociais, acabou fazendo compras desnecessárias, por conta de patrocínio ou dica de alguém.”

Já o jornalista Thales Juan Molinas de Lima, de 23 anos, percebeu que gastava muito tempo nas redes sociais se entretendo, como uma forma de escape de sua ansiedade. Conta que agora está tratando e consegue ter um auto controle melhor e focar nas atividades que considera mais relevantes.

“Sinto que meu dia rende mais e parece que passa mais lentamente. Retornei com meu hábito de ler, nesses primeiros dias de 2021, por exemplo, já li dois livros e estou terminando o terceiro. Passo mais tempo com minha família ajudando nas coisas de casa.”

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