Categories: Brasil

Acordo bilionário entre Vale, BHP, Samarco e autoridades sobre Mariana deve ser assinado até fim de outubro

Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

A mineradora Vale está propondo acordo definitivo no valor de R$ 170 bilhões para as demandas relativas ao rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, ocorrido no dia 5 de novembro de 2015, liberando uma onda de lama gigante que deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e atingiu comunidades, florestas e rios, inclusive o rio Doce em toda a sua extensão até o mar no Espírito Santo.

Em comunicado publicado na sexta-feira, 18, a empresa informa que o acordo em discussão “visa termos justos e eficazes para uma resolução mutuamente benéfica para todas as partes, especialmente para as famílias, as comunidades e o meio ambiente impactado, ao mesmo tempo que criam definição e segurança jurídica para as companhias. A proposta reforça o compromisso da Vale com a reparação integral do rompimento da barragem de Fundão, da Samarco.”

O acordo foi apresentado a movimentos sociais na sexta-feira, 18, em Belo Horizonte, segundo relatou uma fonte à agência Reuters. Negociado entre as autoridades públicas e as mineradoras Samarco, dona da barragem de Fundão, e suas controladoras, Vale e a anglo-australiana BHP, inclui pagamentos já realizados pelas empresas, recursos novos e obras a cargo das mineradoras.

Neste sábado, 19, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou os detalhes do acordo para compensação pela tragédia em Mariana, e disse que se encaminha para ser fechado neste mês. A Vale também havia previsto anteriormente que o acordo seria assinado neste mês, mas sem dizer uma data marcada.

Valores

Estimativa anterior, divulgada pelo ministro Alexandre Silveira, previa R$ 167 bilhões. Agora, houve um acréscimo de R$ 1 bilhão aos montantes de valores já pagos e de 2 bilhões de reais nos cálculos de obrigações por fazer das mineradoras.

O documento prevê R$ 38 bilhões em valores já investidos em medidas de remediação e compensação. Outros R$ 100 bilhões serão pagos em parcelas ao longo de 20 anos ao governo federal, aos estados de Minas Gerais e Espírito Santo e aos municípios, para financiar programas e ações compensatórias vinculadas a políticas públicas.

O texto inclui ainda o pagamento de R$ 32 bilhões em obrigações de execução da Samarco, incluindo iniciativas de indenização individual, reassentamento e recuperação ambiental.

O acordo sendo finalizado, segundo a BHP, irá estabelecer um novo sistema de compensação e indenização projetado com a colaboração de defensores públicos e promotores para fornecer compensação para pessoas elegíveis nas regiões afetadas.

Indivíduos e pequenas empresas que concordarem em optar pelo acordo, segundo a mineradora, serão compensados ​​em 30.000 reais por pessoa, e indivíduos elegíveis por danos causados ​​pela água serão compensados em 13.000 reais por pessoa.

Dentre os pontos considerados nas discussões, há ainda uma previsão de R$ 8 bilhões a serem pagos a povos indígenas impactados e comunidades tradicionais elegíveis, definidos após um processo de consulta, segundo o comunicado da BHP.

“Este processo permitirá que cada povo indígena e comunidade tradicional decida como abordar os impactos coletivos em suas comunidades, inclusive por meio de pagamentos às famílias e seus membros”, afirmou a companhia.

As negociações para um acordo definitivo sobre o tema vem ocorrendo há anos e envolvem diversas instituições de Justiça, poder público, ministérios públicos federal e estaduais (MG e ES), bem como defensorias públicas da União, Minas Gerais e Espírito Santo, representando as comunidades atingidas.

O processo de mediação com o Tribunal Regional Federal (TRF) da 6ª Região e o engajamento das instituições públicas brasileiras, desempenhando seu papel constitucional como autênticos representantes das pessoas afetadas, garantiram transparência e legitimidade ao processo de resolução.

Incremento de provisão e expectativa de saída de caixa da Vale

Segundo o documento, a Vale reafirma seu compromisso de apoiar a Samarco na reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão e com a obrigação previamente acordada pelos acionistas de financiar, até uma parcela de 50%, os valores que a Samarco eventualmente deixar de financiar como devedor principal.

O texto diz que, considerando o valor financeiro em questão, e com base nas expectativas preliminares de saída de caixa, a Vale estima que R$ 5,3 bilhões (US$ 956 milhões) serão adicionados aos passivos associados à reparação de Mariana nos resultados do 3º trimestre de 2024. O cronograma estimado para desembolso será atualizado oportunamente.

*Com informações de Agência Brasil, Reuters e Estadão Conteúdo

Deixe seu comentário...
Redação

Recent Posts

De vilão a mocinho? Como engenharia genética pode transformar tabaco e criar novos remédios

O tabaco mata oito milhões de pessoas no mundo todo ano. Mas imagine se ele pudesse ser…

12 horas ago

Imasul determina paralisação das atividades de balneário famoso em Bonito

O Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) decidiu suspender por tempo…

12 horas ago

Trator tomba e cai em cima de trabalhador em fazenda no Porto da Manga

Trabalhador, de 28 anos, ficou ferido após um trator cair em cima de seu corpo…

13 horas ago

Trump ameaça Irã com ‘bombardeiros invisíveis’ e 2 porta-aviões

Enquanto atacam rebeldes apoiados por Teerã no Iêmen e fazem contagem regressiva para o ultimato…

13 horas ago

Concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul é tema de debate na ALEMS

Durante a sessão plenária desta quarta-feira (26) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul…

14 horas ago

Conveniência tem porta arrombada e dinheiro levado em Rio Verde

Na manhã desta quarta-feira (26), a proprietária de uma conveniência, localizada na rua Arthur Costa…

14 horas ago