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10 de dezembro de 2018
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Militar, neoliberal e conservador: assim é o futuro governo Bolsonaro

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (C), chega a coletiva de imprensa em Brasília, 28 de novembro de 2018, na qual nomeou vários ministros. (Foto: AFP/Arquivos)

Neoliberal na economia, de moral conservadora, com ampla presença de militares e apenas duas mulheres: assim é o perfil do gabinete com o qual o ultradireitista Jair Bolsonaro pretende reformar o Brasil a partir de 1º de janeiro.

Fiel à sua promessa de reduzir o tamanho do Estado ante à asfixiante situação fiscal da primeira economia latino-americana, este capitão da reserva do Exército reduziu de 29 para 22 o número de ministérios. Entre os extintos está o do Trabalho.

Não pôde cortar mais, explicou, por uma questão de funcionalidade.

O resultado é uma equipe de sete ministros militares, oito com perfil técnico e sete políticos, unidos na crítica feroz aos governos de esquerda de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), preso desde abril em Curitiba, e de sua afilhada política, Dilma Rousseff (2011-2016), deposta do cargo após um processo de impeachment.

Há duas mulheres – uma a mais que no atual governo de Michel Temer – e nenhum negro.

“É um perfil pouco usual, possui grupos com características e objetivos muito distintos: um grupo nacionalista-antiglobalista, que se orienta na política populista de Donald Trump; um grupo de neoliberais que controla a parte econômica e outro de militares, que têm influência em várias áreas diferentes”, explicou à AFP Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“É cedo para dizer como vai ser o jogo de poder entre estes três polos”, acrescentou.

– “Chicago Oldies” em Brasília –

Um grande desafio de Bolsonaro será recuperar a economia após dois anos de recessão e outros dois de tímido crescimento.

Para esta missão, escalou Paulo Guedes, formado na Universidade de Chicago (berço do liberalismo econômico moderno), e que dirigirá um superministério da Economia, que abrangerá as pastas da Fazenda, Planejamento, Comércio Exterior e parte do desmembrado ministério do Trabalho.

Partidário de privatizar o que for possível e de um Estado quanto menor, melhor, Guedes nomeou outros economistas veteranos – apelidados pela imprensa de “Chicago Oldies” – à frente da Petrobras, do BNDES e do Banco Central.

“A formação da equipe econômica sugere que Paulo Guedes deverá gozar de ampla autonomia para tocar a agenda de reformas, sem ingerências de outras alas do governo”, disse à AFP Thomaz Favaro, analista da Control Risks.

– O flagelo da corrupção –

Outra prioridade para Bolsonaro é o combate à corrupção e à criminalidade galopante.

Para isso, criou um superministério da Justiça para o juiz Sergio Moro, célebre por chefiar a operação ‘Lava Jato’, que mandou para a prisão Lula e outros importantes políticos.

Mas será preciso ver como Bolsonaro e Moro vão resolver suas divergências em temas considerados bandeiras do ultradireitista, como a flexibilização do porte de armas e a caracterização de movimentos sociais como “terroristas”.

Para o cientista político Wladimir Gramacho, professor da Universidade de Brasília, Guedes, Moro e o deputado Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil, “têm a confiança dos três pilares de sustentação de um governo: Congresso, economia e opinião pública”.

– Poder “verde oliva” –

O futuro presidente, de 63 anos, nunca escondeu sua nostalgia pela ditadura militar (1964-1985), nem sua pretensão de colocar militares para comandar os ministérios.

Além de escolher como vice-presidente o general Hamilton Mourão, o ex-paraquedista indicou três generais para a Defesa (Fernando Azevedo e Silva), Secretaria de Governo (Santos Cruz) e Segurança Institucional (Augusto Heleno), além de outros quatro integrantes das Forças Armadas para as Minas e Energia (almirante Bento Costa Lima Leite), Ciência e Tecnologia (tenente-coronel Marcos Pontes), Controladoria Geral da União (Wagner Rosário) e Infraestrutura (Tarcísio Gomes de Freitas).

“A força dos militares no futuro governo ainda precisa ser comprovada, bem como seu interesse em exercer maiores cotas de poder”, explicou Gramacho à AFP.

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