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27 de outubro de 2018
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ONG contesta estudos do DNIT e aponta a BR-262 ameaça à fauna

Jacaré é uma das espécies mais atropeladas na BR-262, segundo pesquisadores do ICAS. (Foto: Divulgação)

A instalação de radares fixos ao longo de 284,3 km da BR-262, entre Anastácio e Corumbá, não é a melhor alternativa para diminuir a mortandade de animais silvestres ao longo do trecho que atravessa o Pantanal. Contudo, é visível a redução de atropelamentos da fauna por veículos com os equipamentos em operação. Os estudos e relatos indicando essa realidade, porém, são contestados pela ONG Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS).

A organização ambientalista, em nota enviada ao Campo Grande News, questionou reportagem publicada em setembro, a qual aponta, com base em dados de monitoramentos realizados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e informações da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ambiental, a redução de mortes de animais por conta de algumas medidas mitigadoras adotadas de 2012 para cá. Dentre elas, a colocação dos radares.

O ICAS desenvolve o projeto Bandeiras e Rodovias, cujo estudo visa subsidiar e propor estratégias de manejo de tamanduás e da fauna em geral em rodovias. A entidade aponta que realizou monitoramentos quinzenais na BR-262, entre Campo Grande e a ponte sobre o Rio Paraguai, de janeiro de 2017 a setembro de 2018, e registrou 2.070 animais mortos. Isso significaria, segundo relata, “um aumento significativo (65%)” na taxa de atropelamentos.

Números do ITTI

Quem trafega com frequência entre Anastácio e Corumbá – onde o Dnit instalou 21 radares – não se depara com essa mortandade alarmante constatada pelo ICAS. A reportagem percorreu os 284,2 km, nesta quarta-feira, e observou três animais mortos, sendo um atropelado no dia. O Campo Grande News ouviu empresas de seguros e guinchos na região e estas afirmaram que o número de acidentes de carros envolvendo animais nesse trecho caiu mais de 60%.

A instalação dos Controladores Eletrônicos de Velocidade (CEVs) entre Anastácio e Corumbá foi uma das medidas para contemplar condicionantes ambientais do Ibama. O Dnit informou que estão projetados novos equipamentos no trecho, bem como a instalação de cercas de proteção em pontos predefinidos pelo Ibama, em fase de licitação. O Dnit também retomará os monitoramentos na rodovia, em convênio com a Universidade Federal de MS (UFMS).

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