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29 de julho de 2018
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João Amoêdo: “presidente não precisa de palácio, jatinho ou cartão corporativo”

AUSTERIDADE João Amoêdo quer fazer campanha apenas com o dinheiro arrecadado junto aos eleitores, sem um tostão de recursos públicos (Crédito: Gabriel Reis)

O Novo é o caçula entre os 35 partidos do País, mas quer dar o exemplo para os mais velhos. Deseja renovar os métodos de fazer política. Uma das lições dessa nova postura é não fazer parte das barganhas por alianças, que geralmente levam ao fisiologismo. Mesmo que, para isso, fique relegado a ter apenas 7 segundos na propaganda eleitoral no rádio e televisão. Eleitos os políticos de seus quadros, o Partido Novo quer que eles se tornem modelos de austeridade, cortando despesas com assessores e mordomias.

O receituário vale para aspirantes a vereador, deputado, governador e sobretudo para o candidato a presidente da legenda, o administrador de empresas João Amoêdo: “Vou reduzir os atuais 29 ministérios para no máximo 10 ou 12. O futuro presidente não precisa morar em palácios, ter cartão corporativo, andar de jatinho para cima e para baixo”, disse Amoêdo em sabatina realizada por ISTOÉ na última segunda-feira 23.

Aos 55 anos, ele se diz liberal na economia e prega um Estado menor. Deseja, ainda, o fim dos subsídios para os empresários, defendendo inclusive o corte de financiamentos com juros menores do BNDES. “Empresa tem que buscar recursos no mercado”.Atualmente, o partido já dispensa o uso de recursos públicos na campanha, cerca de R$ 1 milhão que o fundo eleitoral lhe reserva. O partido utiliza apenas o dinheiro que arrecadar junto aos apoiadores e 21 mil filiados (já coletou R$ 280 mil em vaquinhas eletrônicas). O Novo se recusa a lançar mão também dos recursos que recebe do fundo partidário. Desde 2015, quando a legenda foi oficializada, já recebeu R$ 4 milhões, mas o dinheiro está depositado intacto no BB, pronto para ser devolvido aos cofres da União. “Não é admissível termos recursos públicos para financiar os partidos, quando o governo diz não ter dinheiro para financiar a Saúde e Educação”, resume Amoêdo.

Se não alcançar o segundo turno das eleições, Amoêdo inclina-se a apoiar o tucano Geraldo Alckmin. Numa segunda hipótese, quem sabe até, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Uma coisa é certa: para ele, esquerda de volta nem pensar.

Nos últimos dias, o senhor tem sido um crítico mordaz das alianças feitas pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com o Centrão. O senhor acha possível se eleger e governar sem alianças?

O nosso problema hoje é fazer a mudança, fazer a renovação necessária na política. Realmente me incomodou muito essa aliança feita pelo Alckmin. Quando a gente começou o Novo, em 2010, fomos movidos pelo desejo de renovação, indignados com a qualidade da política, com o desejo de trazer novas lideranças para o mundo político. E quando a gente vê um dos principais candidatos se aliando com ex-mensaleiros, pessoas que foram presas, trazendo de volta a idéia do imposto sindical, só por conta de 3 minutos a mais no tempo de televisão, é de indignar. Hoje, 60% das pessoas falam que não sabem em que vão votar, ou vão votar em branco ou nulo, porque a nossa política, apesar da Lava Jato, continua insistindo nas mesmas práticas. É isso que o brasileiro não agüenta mais.

O Novo só tem 7 segundos de tempo na rádio e televisão e não pode participar de debates na TV por não ter deputados federais. O que o senhor pretende falar em tão pouco tempo?

Isso mostra como o sistema político é feito para privilegiar quem está no poder. O fundo partidário, fundo eleitoral, tempo na TV, são concentrados nos partidos que estão aí e um novo partido não tem a oportunidade de ocupar esses espaços, a não ser que faça alianças com outros partidos para trazer mais tempo de TV, como a gente viu que outros partidos estão fazendo. No nosso tempo de televisão, a minha idéia é dizer: se depender do Novo, esta será a última vez que você vai ver um programa de horário gratuito de TV.

Este ano haverá uma mudança grande nos financiamentos de campanhas. Não haverá mais o financiamento empresarial. Qual é a posição do Novo sobre isso?

A princípio nós somos totalmente contrários ao financiamento público. Entendemos que o financiamento aos partidos deveria vir dos apoiadores e de seus filiados. Não é certo tirar dinheiro da Saúde e da Educação para financiar partidos. Esse dinheiro deve vir de forma voluntária. Em 2016, quando fizemos as primeiras campanhas, já fizemos usando as mídias sociais e sola de sapato. Este ano estamos usando as vaquinhas virtuais (crowdfunding) e eu estou liderando essa arrecadação. Já recebemos R$ 280 mil em doações.

E o dinheiro que o Novo recebe do fundo partidário?

A gente recebe cerca de R$ 100 mil por mês, desde setembro de 2015, quando o partido foi registrado, o que dá mais de R$ 4 milhões, que estão integralmente depositados no Banco do Brasil. Nós já consultamos o TSE e ainda não tivemos uma resposta de como devolver esse dinheiro. Não vamos usar nenhum tostão.

Com a redução do teto dos gastos, o próximo presidente terá grandes problemas com o Orçamento e deve faltar dinheiro para as áreas prioritárias, como Saúde e Educação. Como resolver os problemas emergenciais do País?

No passado, os ajustes sempre foram feitos com o aumento da carga tributária. O Estado está gigantesco, ineficiente e ninguém agüenta mais pagar mais impostos. A gente já trabalha 153 dias por ano só para pagar imposto. Já pagamos mais de R$ 1,2 trilhão em impostos este ano. Se dividirmos por 200 milhões de brasileiros, teremos uma média de R$ 6 mil de impostos pagos por cada brasileiro. E isso na metade do ano. Então, o que a gente tem de fazer? Cortar as despesas.

De que forma?

Tem um estudo do Banco Mundial que mostra que dá para se fazer uma economia de quase 8% do PIB, algo como R$ 400 bilhões. Primeiro, não tem como escapar: reforma da Previdência, que no ano passado deixou um déficit de R$ 270 bilhões e a gente tem que fazer a reforma da previdenciária. A gente tem que cortar uma série de benefícios dados às empresas, como desonerações feitas no passado e que hoje representam quase 4% do PIB. Não se mediu o tamanho desses benefícios e não se viu a eficiência desses programas. Temos que rever isso. E temos uma elite do funcionalismo público que recebe valores muito acima dos ganhos da iniciativa privada. E temos um Congresso que custa R$ 10,5 bilhões por ano. Há espaço para a gente reduzir despesas.

Qual é a sua visão sobre as privatizações, como da Eletrobrás, Petrobrás e a parceria da Boeing com a Embraer?

O governo não deveria ser gestor de nenhuma empresa e nem mesmo acionista. Por dois motivos principais. Primeiro, porque acaba criando um ambiente propício para a corrupção. O fato do governo ter mais poder, indicar enorme quantidade de diretores, presidentes de empresas, a gente já viu o que aconteceu com esse processo. Além disso, acaba resultando em gestão ineficiente. A gente viu a Vale do Rio Doce que aumentou bastante o faturamento. Só com o que ela veio a pagar depois em impostos já compensou.

O senhor tem nomes para eventual ministério?

Eu acredito muito em equipe. Parto do pressuposto que não se faz nada sozinho. Eu gostaria de trabalhar com algo em torno de 10 a 12 ministérios, para ser funcional, com uma agenda única, com todo mundo comprometido com o mesmo projeto. Hoje, a gente tem um pequeno núcleo trabalhando pelo Brasil e uma grande maioria trabalhando em nacos de poder, vendo apenas seus interesses pessoais. Mas no Novo temos o Gustavo Franco, que está muito próximo da gente, e que seria um bom nome para o Ministério da Fazenda.

O senhor fez críticas às desonerações. Acha que elas têm que ser revogadas e acabar com o Bolsa-Empresário, com o fim dos subsídios para as empresas?

Não tem que ter incentivo para empresário, porque acaba criando balcão de negócios. As desonerações têm que ser desfeitas. Temos que trazer a livre concorrência. Todas essas desonerações acabam concentrando o mercado e o consumidor paga duas vezes a conta. Primeiro paga como cidadão, por ter que pagar uma carga tributária maior e segundo porque acaba tendo concentração de empresas e o consumidor paga mais por não ter mais opções no mercado.

Não. Ele pode ser um órgão de projetos, para planejar a infraestrutura, mas ele não precisa ser um banco, para fazer empréstimos. Ele pode ser apenas um órgão técnico. Não precisa financiar obras em Cuba. Foi dado a ele um caráter ideológico para a manutenção do poder. Ele dava dinheiro para a JBS, que depois financiava os políticos com caixa 2 e os políticos se perpetuavam no poder. As empresas têm o mercado de capitais para buscar recursos.Então devemos acabar com o BNDES?

O que o senhor acha do casamento gay, da redução da maioridade penal e da liberalização das drogas?

Eu sou a favor da redução da maioridade penal para 16 anos. Sou a favor da união homo-afetiva e no momento sou contra a descriminalização das drogas. Entendo que o Brasil ainda tem uma luta muito grande contra a violência. O Brasil hoje é o nono País no ranking de mortes por 100 mil habitantes e eu não traria essa variável para o Brasil agora.

Houve um episódio rumoroso em São Paulo, que foi aquela interação de uma criança com um artista nu num museu. Na ocasião, o senhor se posicionou de maneira dúbia. Qual sua posição?

Sou contra uma criança manusear um adulto nu. É inadmissível. Não devemos censurar, mas o que deve haver é uma ressalva na entrada que é proibido para crianças. Temos que separar liberdade de expressão de responsabilidade. Aquilo não é arte. Não faz sentido permitir que crianças possam ir a esse tipo de exposição.

Como o senhor pretende se comportar no segundo turno, no caso de não conseguir chegar lá?

Primeiro vamos trabalhar para chegar lá. Se acontecer algo diferente, vamos fazer mais ou menos que fizemos em 2014. Acabamos por apoiar o Aécio Neves, mesmo sabendo que o PSDB não representava nossas ideias, mas entendendo que ele tinha uma equipe melhor do que a da Dilma.

Tem algum candidato que o senhor não apoiaria?

Não apoiaremos alguém que tenha um víeis diferente do que temos de percepção de mundo que são os partidos de esquerda.

Então, se Alckmin ou Bolsonaro forem para o segundo turno contra alguém de esquerda, o senhor se alinhará a um dos dois, certo?

É possível, mas antes precisamos saber quais são as ideias. E não é só isso. Não interessa que o candidato diz, mas o que ele tem feito nos últimos tempos. Ele tem coerência? Isso é importante para uma avaliação nossa, de ver o que o candidato tem feito, não só o que tem falado. Se não a gente vai ser enganado novamente.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

Nos últimos dias, o senhor tem sido um crítico mordaz das alianças feitas pelo candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, chamando até de “centrolão” o acordo fechado pelo tucano com o Centrão. O senhor acha possível se eleger e governar sem alianças?

O nosso problema hoje é fazer a mudança, fazer a renovação necessária na política. Realmente me incomodou muito essa aliança feita pelo Alckmin. Quando a gente começou o Novo, em 2010, fomos movidos pelo desejo de renovação, indignados com a qualidade da política, com o desejo de trazer novas lideranças para o mundo político. E quando a gente vê um dos principais candidatos se aliando com ex-mensaleiros, pessoas que foram presas, trazendo de volta a idéia do imposto sindical, uma vez que o seu fim dos um dos grandes ganhos da reforma trabalhista, só por conta de 3 minutos a mais no tempo de televisão, é de indignar. A gente sabe a péssima gestão que essa gente fez na Saúde e na Educação, que vai condenar milhares de crianças a ficarem na miséria, gente condenada a morrer por falta de atendimento nos postos de saúde. É isso que me deixou indignado. A mudança que propomos passa por trazer novas ideias, novas posturas, para a gente não ficar refém desses velhos acordos, que não tem funcionado para os brasileiros, mas sim para uma classe política que se perpetuou no poder. Tudo isso me deixou revoltado, de ver que as pessoas estão indo pelo mesmo caminho. É por isso que os políticos têm esse índice enorme de rejeição. Hoje, 60% das pessoas falam que não sabem em que vão votar, ou vão votar em branco ou nulo, porque a nossa política, apesar da Lava Jato, continua insistindo nas mesmas práticas. É isso que o brasileiro não agüenta mais.

O Novo só tem 7 segundos de tempo na rádio e televisão e não pode participar de debates na TV por não ter deputados federais. O que o senhor pretende falar em 7 segundos para a sociedade?

Isso mostra bem como o sistema político é feito para privilegiar quem está no poder. O fundo partidário, fundo eleitoral, tempo na TV, são concentrados nos partidos que estão aí e um novo partido que está entrando não tem a oportunidade de ocupar esses espaços, a não ser que faça alianças com outros partidos para trazer mais tempo de TV, como a gente viu que outros partidos estão fazendo. No nosso tempo de televisão, a minha idéia é dizer: se depender do Novo, esta será a última vez que você vai ver um programa de horário de TV gratuito. Nós entendemos que não faz sentido ter dinheiro público financiando partidos. Os partidos devem ser financiados pelos seus apoiadores, pelos seus filiados. Aliás, o Novo é o único partido, entre os 35 que estão aí, que faz isso. A idéia da nossa candidatura em 2016, no fundo era divulgar mais o partido e eleger uma bancada no Congresso, onde a gente acha que tem que ser feitas as mudanças. Hoje a indignação com a política tradicional é tão grande que estamos otimistas. Tudo pode acontecer. Ainda faltam pouco mais de 70 dias até as eleições e a nossa idéia é trazer novas lideranças para a política.

O seu objetivo então não é nem se eleger presidente, mas tornar o Novo um partido viável, com uma bancada de deputados e impulsionar o partido para 2022?

A nosso desejo é fazer as duas coisas. Eleger o presidente, uma bancada de deputados e também governadores. Temos cinco candidatos a governador (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, São Paulo e em Minas Gerais), com chances de vitória. O Brasil está muito fragilizado. As contas públicas ruins, serviços péssimos, segurança nem se fala e se a gente não fizer uma mudança agora em 2018, vamos condenar o País a mais dez anos de uma situação muito crítica. Será ainda mais difícil fazer a reversão da situação que temos hoje.

Este ano haverá uma mudança grande nos financiamentos de campanhas. Não haverá mais o financiamento empresarial. Qual é a posição do Novo sobre isso?

A princípio nós somos totalmente contrários ao financiamento público. Entendemos que o financiamento aos partidos deveria vir dos apoiadores e de seus filiados. Não é certo tirar dinheiro da Saúde e da Educação para financiar partidos. Esse dinheiro deve vir de forma voluntária. Isso é que faria os partidos ter representatividade. Os partidos hoje são subsidiados com privilégios, benefícios e não representam de fato o cidadão. Além disso, cria-se uma pressão enorme para a formação de outros partidos, já que são privilégios enormes que se dá aos que comandam os partidos. Por isso, defendemos que o dinheiro deve ser privado. Se for para ter dinheiro público, que seja um processo democrático. No ano passado, se aprovou a verba de R$ 1,7 bilhão para o financiamento de campanha aos partidos e a verba está sendo dividida, em torno de 40% vai para os partidos que tem a maior investigação na Lava Jato. Se fosse algo democrático, deveríamos pegar R$ 1,7 bilhão e dividir por 140 milhões de eleitores, o que daria R$ 12 ou R$ 13 para cada eleitor e esse eleitor diria na urna para qual partido ele gostaria que esse dinheiro fosse destinado. Mas esse prêmio que se dá aos partidos que estão mais envolvidos na Lava Jato, dando a eles dinheiro público, não faz o menor sentido.

Isso obrigará os partidos a fazerem campanhas mais baratas?

Sim. Em 2016, quando fizemos as primeiras campanhas, já fizemos campanhas baratas, usando as mídias sociais, sola de sapato. Este ano estamos usando as vaquinhas virtuais (crouwdfunding) e eu estou liderando essa arrecadação. Já recebemos doações de todos os estados do Brasil, o que mostra que quando as pessoas são chamadas a doar de forma voluntária, elas se engajam no processo.

E o dinheiro que o Novo recebe do fundo partidário, o que o senhor faz com os recursos?

A gente recebe cerca de R$ 100 mil por mês, desde setembro de 2015, quando o partido foi registrado, o que dá mais de R$ 4 milhões, que estão integralmente depositados no Banco do Brasil. O problema é que se a gente devolver para o TSE, ele é dividido pelos demais partidos e a gente gostaria de devolver para a Receita, para que o dinheiro seja devolvido aos cidadãos brasileiros. Nós já fizemos uma consulta ao TSE e ainda não tivemos uma resposta de como efetivar isso. Enquanto isso, a gente vai deixar o dinheiro aplicado no BB e não vamos usar nenhum tostão.

Nesta campanha o senhor não vai usar nenhum recursos públicos na campanha?

Não. Nem do fundo partidário e nem do fundo eleitoral. O Novo receberá R$ 1 milhão do fundo eleitoral e não utilizaremos esses recursos.

E como o senhor vai fazer campanha, viajando pelo Brasil todo?

Com doações. Com a vaquinha virtual já arrecadamos R$ 280 mil. Temos doações dos 21 mil filiados e cada um doa R$ 29 por mês. Já estamos mandando emails para os filiados para ver se eles podem aumentar um pouquinho as doações e estamos tendo resultados muito positivos. Tem muita gente querendo investir nessa proposta. No fundo o que queremos melhorar é a qualidade de vida das pessoas, reduzir a carga tributária, melhorar os serviços públicos, e tudo isso volta para o cidadão.

Com a redução do teto dos gastos, o próximo presidente terá grandes problemas com o Orçamento e deve faltar dinheiro para as áreas prioritárias, como Saúde e Educação. Estamos vendo o Brasil voltar para o mapa da fome, a volta de doenças que estavam erradicadas. Com menos recursos, vamos ter como resolver os problemas emergenciais?

No passado, os ajustes sempre foram feitos com o aumento da carga tributária. O Estado está gigantesco, ineficiente e ninguém agüenta mais pagar mais impostos. A gente já trabalha 153 dias por ano só para pagar imposto. Já pagamos mais de R$ 1,2 trilhão em impostos este ano. Se dividirmos por 200 milhões de brasileiros, teremos uma média de R$ 6 mil de impostos pagos por cada brasileiro. E isso na metade do ano. Então, o que a gente tem de fazer? Reduzir as despesas. Tem um estudo do Banco Mundial que mostra que dá para se fazer uma economia de quase 8% do PIB, algo como R$ 400 bilhões. Primeiro, não tem como escapar: reforma da Previdência, que no ano passado deixou um déficit de R$ 270 bilhões e a gente tem que fazer a reforma da previdenciária.  A gente tem que cortar uma série de benefícios dados às empresas, como desonerações feitas no passado e que hoje representam quase 4% do PIB. Não se mediu o tamanho desses benefícios e não se viu a eficiência desses programas. Temos que rever isso. E temos uma elite do funcionalismo público que recebe valores muito acima dos ganhos da iniciativa privada. E temos um Congresso que custa R$ 10,5 bilhões por ano. Há espaço para a gente reduzir despesas. Um das pautas do Novo vai nessa linha. Nós elegemos quatro vereadores em 2016 e de imediato eles cortaram 39 assessores, economizando mais de R$ 1 milhão com seus mandatos. E vamos lembrar que o Brasil tem mais de 58 mil vereadores. O Estado brasileiro é muito gastador. Temos que reduzir isso. Por isso é que me assusta ver acordos feitos pela velha política porque dificilmente os partidos tradicionais estarão dispostos a cortar privilégios. Hoje temos senadores com 90 assessores. Não faz sentido no Brasil atual.

E como fazer os políticos a aceitar abrir mão dessas benesses?

Alguns aceitarão e outros não. Por isso, cabe à população substituir esses que não estão dispostos a mudar. A gente tem que renovar o Congresso. Só com pessoas diferentes, com outras posturas é que a gente vai implementar uma realidade diferente neste País. Não tem jeito. Tem que haver uma renovação total. Parece que a população entendeu esse processo. É aposta que estamos fazendo.

O que fazer para reduzir o desemprego, que já deixou uma massa de 13,7 milhões de pessoas sem trabalho?

A gente não pode esquecer que quem gera emprego é o empreendedor e no Brasil empreender é muito difícil. O Brasil nos rankings de liberdade econômica está na posição 158. Eu vi um estudo do Banco Mundial no âmbito de se fazer negócios, levando em consideração a carga tributária, com 180 países estudados, o Brasil está posição 176. Aqui no Brasil, para se abrir uma empresa, tem que passar por onze etapas. É dificílimo. Além da carga ser elevada, a complexidade para se abrir uma empresa é enorme. Para fechar também. O custo de capital é muito elevado também. Tudo isso faz com que o pequeno e médio investidor não se sinta estimulado a investir, muitos vão para a informalidade e a geração de emprego fica comprometida. A gente tem um capitalismo de Estado, que atende só os grandes grupos e o pequeno paga a conta dos privilégios que são dados a uma minoria. Acredito que retomando a confiança, passando o processo eleitoral, que traz incertezas, pois tem gente dizendo que vai desfazer medidas que foram tomadas, e ter alguém que coloque a economia no rumo certo, dar oportunidade aos pequenos negócios e retome a economia. Eu confio muito no potencial do Brasil. Não faz sentido o Chile ter uma renda per capita 50% maior do que a do Brasil.

Qual é a sua proposta para a reforma da Previdência?

Eu começaria fazendo as coisas mais simples, implementando as medidas de consenso. Estabelecendo o piso de aposentadoria maior, de 65 anos, para homens e mulheres, aumentando isso na medida em que a expectativa de vida também for aumentando. Desvincular o reajuste das aposentadorias do salário mínimo, indexando-o à inflação. Aumentar a quantidade de anos trabalhados para fazer uma aposentadoria proporcional. E, por último, ter uma regra de previdência que semelhante para os funcionários da iniciativa pública igual aos da iniciativa privada. Hoje temos uma distorção muito grande. O teto da aposentadoria privada é de R$ 5 mil, enquanto que o da área pública é de R$ 78 mil, ou seja, 16 vezes maior. É uma grande transferência de renda.

Mas a sociedade não está convencida da necessidade de se fazer essa reforma, certo?

Nós temos que explicar isso para a sociedade. Se nada for feito, daqui a alguns anos todo o dinheiro arrecadado vai só para pagar a aposentadoria. Infelizmente não fizemos a reforma no governo Temer, porque ele estava com pouca credibilidade, com uma série de ministros investigados. E como você pode querer fazer uma reforma se não dá o exemplo dentro de casa? Por isso no Novo a gente dá o exemplo de cortar privilégios. O cidadão vê você andando de jatinho para cima e para baixo, aumentando o dinheiro do fundo partidário, criando o fundo eleitoral para financiar os partidos e ainda quer mexer na aposentadoria? É natural que a pessoa nem queira ouvir a história. A primeira coisa que defendemos é que, quando o presidente for eleito, não precisa morar em palácios, não precisa de cartão corporativo, não precisa ter chef de cozinha, não precisa ter tantos assessores, porque aí o cidadão vai falar: essa pessoa tem credibilidade, vamos ver o que ela tem a falar. O mundo político perdeu a credibilidade. O Brasil precisa fazer reformas e os políticos não têm credibilidade. Por isso, se vai por esse atalho, com reformas propostas por pessoas que a única coisa que desejam é não mudar o modelo atual. Por isso, o Brasil vive nesta sinuca, nesta armadilha.

O fato de não usar o fundo partidário para fazer política é uma causa pétrea do Novo, de que jamais vai utilizá-lo? Não dá para usar o dispositivo sem exageros? Muitas vezes o parlamentar precisa de recursos para financiar a estrutura do mandato, não? Elegendo uma bancada no Congresso, vocês vão abrir mão desses recursos?

Isso é definitivo. Quando começamos a montar o partido, em 2009, 2010, pensamos em fazer algo para melhorar a vida das pessoas. E concluímos que a melhor forma era mudar o mundo político num Estado, ter escala para depois atingir um maior número de pessoas. Mas uma coisa que sempre falamos é que o Novo tem que reunir as pessoas em torno de princípios e valores. E não em torno de um salvador da pátria. E os princípios são muito importantes. Esta é nossa segunda eleição. E a gente é testada exatamente nas eleições. É por isso que no Brasil os partidos nunca forma instituições e são única e exclusivamente legendas. Aqui se leva as pessoas a fazer o melhor e muitas vezes o melhor não é o certo. Por isso, assumimos o compromisso de fazer o certo e colocar os filiados para nos vigiar e cumprir o que está escrito no estatuto. Muitos dos investigados da Lava Jato, lá atrás, não pensaram em usar os recursos de caixa 2, mas acharam que era importante para chegar ao poder e depois foram usando esses recursos. Então, não podemos flexibilizar. É por isso que nossos vereadores só tem 6 assessores. No partido, nossos filiados têm que estar alinhados aos princípios e valores. Não tem propaganda melhor para o Novo do que é feito pelos políticos tradicionais. São tantas coisas erradas sendo feitas que a população tem um desejo muito grande de renovação.

Qual é a sua visão sobre as privatizações, como a da Eletrobrás, Petrobrás e nessa parceria da Boeing com a Embraer?

O governo não deveria ser gestor de nenhuma empresa e nem mesmo acionista. Por dois motivos principais. Primeiro porque acaba criando um ambiente propício para a corrupção. O fato do governo ter mais poder, indicar enorme quantidade de diretores, presidentes de empresas, a gente já viu o que aconteceu com esse processo. Além disso, acaba resultando em gestão ineficiente. A gente viu a Vale do Rio Doce que aumentou bastante o faturamento e só com que ela veio a pagar depois em impostos já compensou. Do ponto de vista da corrupção e eficiência, não faz sentido estar na mão do Estado. Para o Brasil crescer, a gestão pública também acaba trazendo entraves. Vale também lembrar a privatização das teles, que nos trouxe outra qualidade de serviços, hoje temos milhares de celulares por aí e antes tínhamos até que declarar o telefone no Imposto de Renda. No caso da Petrobras, para aumentar a exploração do petróleo seria melhor com a privatização. E tem a questão da liberdade de ser sócios. Hoje o Estado é sócio de empresas que dão prejuízo como os Correios, de empresas que estão dando prejuízo. Eu gosto da modelagem que está sendo feita na Eletrobrás, onde nenhum sócio pode ter mais do que 10% do controle e o governo vai ter assento, com poder de veto em questões mais delicadas, mas não podemos transferir o monopólio público para o monopólio privado. Então, a Petrobras tem que ter concorrência inclusive no setor de refino. Para que a gente possa proteger o consumidor.

Como convencer o eleitor de que não se está entregando ao capital privado um bem histórico do povo, como é a Petrobras?

É mostrando o que se tem no exterior. Nos Estados Unidos se tem a gasolina mais barata que aqui no Brasil. Lá tem 20 empresas que fazem o refino e não há o monopólio do Estado. E aí o Estado vai poder usar a sua capacidade de recursos nas áreas onde deveria estar usando, que é Educação, Saúde e Segurança. É um processo que a gente vai ter que deixar claro para a população, que isso vai ser bom. Levamos um tempo dizendo que as estatais eram estratégicas, mas hoje entendi que elas são estratégicas só para os políticos, para eles se perpetuarem no poder. O que é estratégico para o cidadão? É o fato de poder pagar um preço mais barato, poder escolher entre várias empresas. Isso está ficando cada vez mais claro para as pessoas.

Como governar com um Congresso arcaico?

Temos que mudar o Congresso, renová-lo. Ainda tem algumas pessoas lá imbuídas de boas intenções. Com essas, vamos conversar. Mas os partidos tradicionais já entram no Congresso com dívidas, com promessas feitas e que não serão cumpridas. Nós, do Novo, vamos entrar em essas dívidas. Vamos entrar com propostas claras e que nos primeiros cem dias de governo a gente vai poder fazer muita coisa, com uma bancada relevante. Agora, é óbvio que vai ter negociação, é um processo político, mas não dá para fazer é com esse fisiologismo que temos hoje, com esse toma-lá-dá-cá, com o qual acabamos não avançando.

Como o senhor pretende se comportar no segundo turno, no caso de não conseguir chegar lá?

Primeiro vamos trabalhar para chegar lá. Se acontecer algo diferente, vamos fazer mais ou menos que fizemos em 2014. Acabamos por apoiar o Aécio Neves, mesmo sabendo que o PSDB não representava nossas ideias, mas entendendo que ele tinha uma equipe melhor do que a da Dilma.

Tem algum candidato que o senhor não apoiaria?

Não apoiaremos alguém que tenha um víeis diferente do que temos de percepção de mundo que são os partidos de esquerda.

Então, se Alckmin ou Bolsonaro forem para o segundo turno contra alguém de esquerda, o senhor se alinhará com um dos dois, certo?

É possível, mas antes precisamos saber quais são as ideias. E não é só isso. Não interessa que o candidato diz, mas o que ele tem feito nos últimos tempos. Ele tem coerência? Isso é importante para uma avaliação nossa, de ver o que o candidato tem feito, não só o que tem falado. Se não a gente vai ser enganado novamente.

Esta é a eleição da direita?

A crise nos mostrou que esse modelo de Estado intervencionista, com alta carga tributária, que promete muita coisa, dificilmente entrega o que promete. Estamos vendo o Bolsonaro que ficou 30 anos no Congresso com uma atuação mais contrária do liberalismo, agora se vendendo como um candidato liberal. Certamente há uma demanda da população por um estado menor, que vá atuar nas áreas essenciais. A realidade nos trouxe a esse cenário e temos que aproveitar para fazer as mudanças. Minha preocupação é a gente eleger alguém só com o discurso, sem a prática, é aí será o pior dos mundos.

O que o senhor faria com o Bolsa-Família?

Eu manteria o programa. Dos programas sociais, o Bolsa-Família é o que tem melhores resultados. Atende 14 milhões de famílias, a um custo relativamente baixo, de R$ 29 bilhões, e direciona recursos para os 20% mais pobres, que estão na pobreza extrema. Tem uma grande vantagem de poderem usar os recursos recebidos na rede privada, estimulando o comércio mais popular. Mas a gente precisa trabalhar no Brasil é na Educação, na base, para que as pessoas tenham porta de saída do Bolsa-Família. A educação tem sido muito falha no Brasil.

Além do Bolsa-Família, quais outras medidas do governo o senhor manteria?

Na Educação, eu manteria essa reformulação feita no currículo, para dar mais liberdade aos estudantes. A reforma trabalhista certamente eu manteria. Teto dos gastos também manteria, assim como a modelagem na privatização da Eletrobrás. A proposta da reforma da Previdência acho que está muito próxima do que acredito, mas que acabou não sendo votada no Congresso. Manteria a atuação do Banco Central, mas não só a autonomia do banco, mas mantendo o atual presidente (Ilan Goldfajn).

Falando em nomes, o senhor tem outros nomes já comprometidos com o seu projeto para eventual ministério?

Eu acredito muito em equipe. Parto do pressuposto que não se faz nada sozinho. Primeiro não podemos ter mais do que 12 ministérios. Eu gostaria de trabalhar com algo em torno de 10 a 12 ministérios, para ser funcional, com uma agenda única, com todo mundo comprometido com o mesmo projeto. Hoje, a gente tem um pequeno núcleo trabalhando pelo Brasil e uma grande maioria trabalhando em nacos de poder, vendo apenas seus interesses pessoais. Temos o Gustavo Franco, que está muito próximo da gente, e que seria um bom nome para o Ministério da Fazenda, uma pessoa alinhada com o Novo, foi um dos pais do Plano Real e pode ser uma pessoa determinante para fazer com que o Brasil tenha mais liberdade econômica.

O senhor fez críticas às desonerações. Acha que elas têm que ser revogadas e acabar com o Bolsa-Empresário, com o fim dos subsídios para as empresas?

Não tem que ter incentivo para empresário, porque acaba criando um balcão de negócios. As desonerações têm que ser desfeitas, mas temos que trazer a livre concorrência. Todas essas desonerações acabam concentrando o mercado e o consumidor paga duas vezes a conta. Primeiro paga como cidadão, por ter que pagar uma carga tributária maior e segundo porque acaba tendo concentração de empresas e o consumidor paga mais por não ter mais opções no mercado.

E os juros subsidiados do BNDES são nocivos para a economia?

Sou totalmente contrário a esses juros subsidiados. É aquela história da meia entrada. Alguém paga dobrado para garantir quem paga menos.

Então devemos acabar com o BNDES?

Não. Ele pode ser um órgão de projetos, para a gente planejar a infraestrutura, mas ele não precisa ser um banco, para fazer empréstimos. Ele pode ser apenas um órgão técnico. Não precisa financiar obras em Cuba. Foi dado a ele um caráter ideológico para a manutenção do poder. Foi o que a gente viu. Ele dava dinheiro para a JBS, que depois financiava os políticos com caixa dois e os políticos se perpetuavam no poder. As empresas têm o mercado de capitais para buscar recursos. A bolsa-BNDES foi sete vezes maior do que o bolsa-família e é o cidadão brasileiro que está pagando com o desemprego, com a insegurança. Precisamos acabar com essas minorias que estão usando o Estado brasileiro em benefício próprio.

Como reduzir o spread bancário, que é muito alto no Brasil?

Isso só se resolve com a concorrência no sistema bancário. E não é se usando o banco público para isso. No passado, já tentou se usar o banco público para isso e não funcionou. Ele acaba prejudicando a concorrência, como os bancos pequenos. Recentemente houve a votação do cadastro positivo, para permitir que todas as instituições financeiras tenham acesso ao histórico de crédito das pessoas, para com isso ajustar o spread, mas houve deputados da esquerda que dizem ser protetores do cidadão e que votaram contra o projeto, indo na direção contrária.

Que o senhor é liberal na economia, não há dúvida. E nos costumes, como o senhor se posiciona?

Eu defendo que todas as pessoas tenham liberdade para ter a definição da sua parte comportamental. Por isso, o Novo delega às pessoas a decisão de cada um. Eu tenho minha visão sobre determinados temas, mas minha visão não deve influenciar a visão das outras pessoas sobre suas escolhas. Sobre as pautas mais polêmicas na questão comportamental, o Novo deixa que cada candidato escolha a sua bandeira.

O que o senhor acha do casamento gay, da redução da maioria penal e se é a favor da liberalização das drogas?

Eu sou a favor da redução da maioridade penal para 16 anos. Sou a favor da união homo-afetiva e no momento sou contra a descriminalização das drogas. Entendo que o Brasil ainda tem uma luta muito grande contra a violência. O Brasil hoje é o nono País no ranking de mortes por 100 mil habitantes e eu não traria essa variável para o Brasil agora. Eu analisaria resultados de outros países nessa área e traria essa discussão para cá em outro momento. A guerra às drogas da maneira como está sendo feita hoje não está funcionando. Por isso, acho que poderíamos adotar uma posição mais educacional.

Houve um episódio rumoroso em São Paulo e não vimos uma posição muito clara de vossa parte, que foi aquela interação de uma criança com um artista nu aqui num museu em São Paulo. Queríamos saber porque o senhor não quis se posicionar naquela oportunidade.

Eu sempre tenho coerência com as coisas que eu falo. Sou contra uma criança ir manusear um adulto nu. Para mim isso é inadmissível. Eu tenho três filhas, estão mais velhas hoje, mas eu absolutamente as levaria para um evento como esse. Por outro lado, o que disse e que pode ter gerado algum ruído é que se você tem um evento como esse não devemos censurar, mas o que deve haver é uma ressalva na entrada que é proibido para crianças. Temos que separar o que é liberdade de expressão é o que é  responsabilidade.

Aquilo não foi arte então?

Na minha avaliação não. Pode haver alguém que ache que aquilo é arte. Mas não faz sentido permitir que crianças pudessem ir a esse tipo de exposição. Se um adulto quer ir, tudo bem. Mas tem que haver um aviso forte na entrada proibindo a entrada de crianças. É diferente de proibir alguém que faça esse tipo de evento.

Qual sua posição sobre o estatuto do desarmamento e o porte de armas?

 O Novo é contra o estatuto do desarmamento. Foi feito referendo lá atrás e as pessoas votaram contra o desarmamento e que as pessoas deveriam ter direito à legitima defesa, à liberdade com responsabilidade. Claro, que passando por algum teste, as pessoas deveriam poder ter direito à arma. Mas devem ser penalizadas se usarem a arma indevidamente. Entendo que não é um processo para resolver a segurança urbana. Está mais ligado à liberdade individual. A segurança é missão do Estado, que foi feito para proteger nossa vida.

Apesar dos militares terem assumido a segurança no Estado, a situação não melhorou. O senhor defende a intervenção militar no Rio?

Para avaliar corretamente a intervenção a gente teria que ver o que estaria acontecendo lá se não houvesse a intervenção. Houve uma pequena melhora, mas a pergunta é: será que não haveria uma piora grande se não houvesse a intervenção? Entendo que a intervenção no Rio foi feita sem muito planejamento, mas acho que ela teria que ter sido feita. A violência estava tomando proporções elevadas e o governo do Estado não tinha mais liderança para resolver o problema. Acho que temos que ver se o novo governador lá assume a segurança de vez. Mas há um problema de ordem prática. Com a intervenção, não podemos fazer as reformas no Congresso e elas são indispensáveis. Então, precisamos ver de que forma podemos manter a segurança no Rio.

O senhor concederia indulto a Lula?

Não, de jeito nenhum. Ele fez muito mal ao Brasil. É aquela história. A cobrança tem que ser proporcional à capacidade que a pessoa tem de entrega e o que ela representa. Então uma pessoa que foi presidente da República duas vezes e se colocou como salvador da pátria, é razoável que se cobre muito dela. Foi exemplo para muitas pessoas. Ao se meter na política de forma muita ruim, recebendo propina, participando da corrupção, deu um exemplo muito ruim para a sociedade. Independente desse passado, sempre defendi que as pessoas dêem exemplo de retidão, de que o estudo é importante, que precisa se trabalhar duro. Precisamos de uma sociedade que valorize isso. Então, ele já foi condenado, tem mais alguns julgamentos a responder e não lhe daria indulto não. Acho que ele tem que pagar a pena. Temos que dar exemplo ao Brasil de que não tem impunidade, especialmente quando ao uso de recursos públicos. A gente se esquece que muita gente está morrendo, deixando de ser atendidas num hospital, deixando de fazer uma cirurgia, um tratamento de câncer, as crianças condenadas à miséria porque os recursos foram desviados. As pessoas precisam estar conscientes quando assumem um cargo público.

O senhor disse que esteve ao lado de Aécio no segundo turno em 2014. Foi uma decepção para o senhor o desenvolvimento da Lava Jato, com o envolvimento do senador no caso?

Nós votamos nele porque ele realmente era melhor que a Dilma e não me arrependo disso. Agora, a decepção maior não foi só em ver o Aécio participando da corrupção, mas principalmente me decepcionei com o tratamento que o PSDB deu ao Aécio. Achei que a instituição colocaria os interesses do País acima dos interesses de um de seus membros. Mas ao fazer panos quentes, ser muito condescendente com um de seus integrantes que estão sendo alvos de investigação, o PSDB se mostrou ser igual ao PT.

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