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5 de agosto de 2019
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Estados Unidos enfrentam ameaça do ‘terrorismo branco’

Mulher protesta em Dayton contra a extrema direita branca – AFP

Dois jovens brancos de estilo paramilitar mataram 29 pessoas neste fim de semana nos Estados Unidos, confirmando os temores daqueles para quem o “terrorismo branco” é a principal ameaça ao país.

Entre lágrimas, levantaram-se vozes em ambos os lados do espectro político para chamar as autoridades a medir o autêntico perigo, ofuscado durante longo tempo pela luta contra os ataques jihadistas.

“As vidas perdidas em Charleston, San Diego, Pittsburgh e, certamente, agora, em El Paso, são consequência do terrorismo nacionalista branco”, afirmou na rede de TV Fox News Pete Buttigieg, candidato nas primárias democratas, referindo-se aos ataques contra uma igreja frequentadas por negros, duas sinagogas e um centro comercial no Texas.

Um homem branco de 21 anos, armado com um rifle, matou 20 pessoas, incluindo seis mexicanos, em El Paso, cidade com 85% da população de origem hispânica, localizada na fronteira com o México. Um manifesto atribuído ao atirador que circulava na internet denuncia uma “invasão hispânica no Texas” e cita os tiroteios realizados por um supremacista branco em mesquitas da Nova Zelândia em março passado.

O tiroteio em El Paso é abordado como um caso de “terrorismo doméstico”, anunciaram autoridades federais. Treze horas depois deste ataque, um homem branco de 24 anos espalhou o terror em Dayton, Ohio, matando nove pessoas em menos de um minuto. Sua motivação não está clara.

– ‘Diabólico’ –

“Aqui há dois fatores que combinam”, continuou Buttigieg em sua análise na Fox News: “De um lado, a fragilidade das políticas reguladoras do mercado de armas. Do outro, o aumento do terrorismo interno inspirado no nacionalismo branco.”

“Não podemos proteger os Estados Unidos desta ameaça se não estivermos prontos para nomeá-la”, criticou o prefeito de South Bend, Indiana. “O governo tem que deixar de fingir que trata-se apenas de uma casualidade e que não há nada a ser feito.”

O presidente Donald Trump classificou o tiroteio em El Paso como “um ato de covardia”, sem mencionar a suposta motivação do suspeito. O prefeito republicano de El Paso, Dee Margo, reduziu a tragédia ao que chamou de “ato de um homem transtornado e puramente diabólico”.

Mesmo para alguns republicanos, este tipo de explicação já não é suficiente. “A luta contra o terrorismo já é uma prioridade, acho que deveria ser incluída uma oposição firme ao terrorismo branco”, publicou no Twitter o político George P. Bush, sobrinho do ex-presidente George W. Bush e comissário do Escritório Geral de Terras do Texas. “Esta é uma ameaça real e presente.”

“A supremacia branca, como qualquer outra forma de terrorismo, é um flagelo que deve ser destruído”, tuitou a filha do presidente americano, Donald Trump.

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