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5 de julho de 2020
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Em busca de liberdade e autoconhecimento, mulheres raspam o cabelo

Já pensou em raspar o cabelo? Muitas mulheres estão aproveitando o período de quarentena para testar mudanças no visual. Algumas delas, inclusive várias celebridades, resolveram assumir os cabelos grisalhos. Outras decidiram por algo mais radical: passar a máquina nos fios. Os motivos são diversos, como praticidade e o fim da dependência dos salões de beleza -que foram obrigados a fechar em diversas cidades por causa do isolamento social.

Em comum, elas contam que há também uma busca por autoconhecimento e uma vontade de não se sentir refém de padrões de beleza. Um desses exemplos vem da técnica de iluminação cênica Nathalia Dezoti, 34, que resolveu raspar todo o cabelo.

“Já tinha essa vontade para ver se era libertador mesmo, e todas essas coisas que as mulheres que já tinham raspado dizem sentir”, conta. E foi tudo isso mesmo? Em um primeiro momento, ela afirma que se assustou com a imagem que viu no espelho. “Foi bem difícil.”

Com o passar dos dias, porém, Nathalia Dezoti diz que passou a adorar o resultado. “Estou bem feliz, tenho essa sensação de que não preciso do cabelo para me sentir bonita, para me sentir mulher”, revela ela, que pretende deixar o visual por um bom tempo.

A praticidade de não ter que se preocupar em ter cuidados constantes com os fios foi outro ponto que colaborou com a sua percepção e até a ajudou a tomar a decisão de raspar o cabelo. Isso porque, durante a quarentena, ela tinha pintado o cabelo naturalmente preto de loiro. Tentou também deixá-lo rosa. O resultado não agradou. E pior: os fios ficaram muito ressecados. Tudo isso foi um empurrão a mais para ela passar a máquina. “Agora, eu já acordo pronta”, comenta.

Para a empreendedora Maria Fernanda Teixeira, 27, raspar os fios durante o período de isolamento social foi um exercício de autoconhecimento e de amor-próprio. “Com esse processo tanto do cabelo quanto a quarentena, de ficar mais em casa mesmo e me olhar mais no espelho, eu estou fazendo as pazes com a minha olheira. Eu pensei: Caraca, ela nem é tão horrorosa, tudo bem, ela ficar aí.”

Essa não foi a primeira mudança radical dela. Em 2018, Maria Fernanda cortou 40 centímetros de fios (que foram doados) e ficou com o cabelo bem curtinho. “Na época, achava que só podia usar roupas hiper femininas, maquiagem, brinco, para estar feminina”, diz. Isso mudou agora. “Eu amo me arrumar, usar maquiagem, só que hoje eu consigo me sentir linda mesmo sem essas coisas.”

Na visão dela, há uma cobrança na sociedade de como a mulher deve ser e se comportar. “E não basta ser feminina, a gente tem que se provar feminina o tempo todo. Cortar todo o cabelo é uma quebra disso. É dizer: ‘Eu não vou ser feminina do jeito que vocês dizem que eu tenho que ser, eu vou ser feminina do jeito que eu sou”, afirma. Teixeira conta ter se inspirado em algumas mulheres que já usavam os cabelos raspados antes do período de isolamento social, como a modelo Cris Paladino.

DESAPEGOPara a personal trainer e professora de ioga Glaucia Raffoul, 33, o cabelo longo e sempre muito bem arrumado, sem um fio fora do lugar, era uma das suas principais vaidades. Desde 2015, ao começar a se aprofundar nos estudos da filosofia de ioga, ela conta que entrou em um processo de autoconhecimento e de desapego.

Se antes até para ir à farmácia, ela se obrigava a passar maquiagem, aos poucos, Raffoul afirma que foi entendendo que vivia em uma espécie de prisão. “Estou me libertando e me sinto a cada dia mais feliz.”

O cabelo, porém, era algo “inegociável”. Glaucia Raffoul diz que já não se preocupava mais tanto se todos os fios estavam completamente chapados e alinhados, mas cortar era outra história. Até que veio a quarentena. “E aí fui obrigada a olhar para dentro um pouco mais.”

Nesse processo, ela decidiu raspar um lado do cabelo, um corte que ela achava bonito e estiloso, mas que não tinha coragem de adotar. “Foi um exercício de desapego”, relata. Mesmo com algumas opiniões contrárias de amigos e conhecidos, Raffoul diz que adorou o resultado e não se importou com o que os outros acharam. Mais tarde, depois que as fotos para esta reportagem foram feitas, ela decidiu cortar os fios na altura dos ombros, um desejo antigo seu. “Hoje, eu me sinto muito mais segura”, conclui.

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