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16 de setembro de 2020
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Cadê o superministro que estava aqui? Guedes encolhe a cada nova bronca

O presidente Jair Bolsonaro conquistou a elite econômica do país e o mercado financeiro ao jurar adesão à agenda liberal agressiva de Paulo Guedes, mas hoje pouca gente acredita que o personagem “Posto Ipiranga” tenha existido de verdade em algum momento. Entre o discurso e a realidade, o superministro Guedes foi conduzido pelo presidente ao caminho da fritura já trilhado por outros auxiliares, como os ex-ministros Santos Cruz, Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro.

A desconstrução de Paulo Guedes vem se dando de maneira cada vez mais ruidosa e hoje mercado e mundo político estão preparados para a sua queda. Até porque a agenda liberal não parou em pé e a presença de seu idealizador começa a se tornar incômoda nos círculos do poder agora ocupados pelo Centrão.

Guedes teve liberdade para montar sua superequipe, englobando ministérios como Fazenda e Planejamento em uma só pasta, mas sofreu resistência para implementar sua política econômica em vários pontos centrais.

Quando teve mais prestígio, no início da gestão, conseguiu aprovar a reforma da Previdência, mas sem sua sonhada capitalização. Desde então, viu o presidente desautorizar falas suas e de seus secretários em temas como a criação de uma nova CPMF e, na mais recente crise, do Renda Brasil.

As derrotas de Guedes na queda de braço com Bolsonaro começaram quando o presidente ainda nem tinha sido eleito e se recuperava no hospital da facada que havia sofrido na campanha.

Em alta após ter sido confirmado como ministro em caso de vitória, Guedes deu uma entrevista dizendo que seria necessária a criação de um novo imposto, nos moldes da CPMF. Pelo Twitter, em 19 de setembro de 2018, Bolsonaro o desautorizou e garantiu: “Chega de impostos é o nosso lema!”, numa posição que tem sido mantida pelo presidente.

Taxar igrejas? Não!

O primeiro pito público do presidente em um dos auxiliares de Guedes veio em 29 de abril de 2019, quando Bolsonaro divulgou longo vídeo nas redes sociais criticando a fala do então secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, sobre planos para incluir igrejas na cobrança de um novo tributo que acabaria com a contribuição previdenciária que incide sobre a folha de pagamento. A ideia foi sepultada.

Não muito tempo depois, em 11 de setembro do primeiro ano de governo, Cintra, que formulava a proposta de reforma tributária, caiu após voltar a defender um imposto sobre movimentação financeira para salvar as contas públicas.

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