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16 de Maio de 2018
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Deputados aprovam ‘Dia do Orgulho Crespo’, que segue para sanção do governador

O suicídio de uma adolescente de apenas 15 anos depois de sofrer bullying na escola, na cidade de Nova Andradina, é a motivação para a criação do ‘Dia do Orgulho Crespo’, em Mato Grosso do Sul. Projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (16) e segue para sanção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

A proposta do deputado Amarildo Cruz (PT) prevê que a data seja comemorada em 7 de novembro em homenagem a Karina Saifer de Oliveira, a adolescente que se suicidou aos 15 anos, na cidade de Nova Andradina.

A morte de Karina repercutiu em grande parte do Brasil, em novembro do ano passado. A adolescente sofria bullying na escola onde estudava por ter cabelo crespo e alisá-lo constantemente. Além disso, o suicídio teria ocorrido depois que a adolescente foi ameaçada a ter fotos íntimas vazadas na internet.

Na cidade de 50 mil habitantes e na escola onde 900 crianças e adolescentes estudavam não se falava em outra coisa a não ser nas ameças que Karina sofria de ter fotos íntimas publicadas. As tais imagens até hoje ninguém sabe se existiram, mas o impacto na vida da adolescente foi grande suficiente para que ela tirasse a própria vida.

O suicídio não bastou para que o bullying digital tivesse fim. Dias depois da morte, fotos da jovem sem vida circularam em grupos de WhatsApp da cidade e também foram motivo de investigação na Polícia Civil de Nova Andradina.

Para Amarildo, a criação de um dia em homenagem ao cabelo crespo tem objetivo principal de conscientizar as pessoas sobre os riscos de perseguição e ridicularizarão baseadas em características físicas.

“Não podemos aceitar que no século XXI, pessoas sejam perseguidas, discriminadas ou ridicularizadas por causa da cor da sua pele, pelo tipo do seu cabelo ou pelo seu estereótipo. O objetivo desse projeto de lei é pautar politicamente e sensibilizar a sociedade sobre de que forma a negação do cabelo crespo está associada ao racismo e à discriminação”, disse.

Números e ajuda

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado revelaram que o suicídio já figurava como a quarta maior causa de morte entre adolescentes e jovens dos 15 aos 29 anos.

A necessidade em combater o bullying e suas consequências se mostra ainda mais urgente quando analisados dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Último senso revela que metade da população de mulheres no Brasil é preta ou parda (49,5%).

Para quem precisa de ajuda, o CVV (Centro de Valorização da Vida) é sempre uma saída. O centro faz apoio emocional e prevenção ao suicídio, sob total sigilo, 24 horas por dia. Para quem precisar de atendimento, é só ligar no telefone 141. Mais informações podem ser obtidas o site do centro.

Além da ajuda ativa do CCV, há formas mais “modernas” de buscar forças para superar o bullying e conscientizar quem está em volta de que as características físicas pouco importam.

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