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3 de agosto de 2020
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Depressão, ansiedade e vícios: como continuar ‘imune’ após 4 meses de isolamento

Imagem Ilustrativa/ Portal do envelhecimento

Nos primeiros meses do isolamento social que já dura pelo menos quatro meses, sul-mato-grossenses ‘experimentaram’ crises de depressão, ansiedade entre outras doenças psicológicas. Agora com a quarentena se estendendo por ainda mais tempos, os cuidados precisam ser redobrados e especialistas dão dicas de como se manter saudável nesse período.

Entre os meses de março e abril, a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) realizou uma pesquisa sobre a saúde mental dos brasileiros durante a quarentena. Segundo o estudo, nesse período, os índices de depressão chegaram a dobrar entre os entrevistados, e o índice de ansiedade ficou 80% maior.

Tiago Ravanello, de 40 anos é pós-doutor em psicologia e coordenador do curso de psicologia  da UFMS (Universidade Federal de Mato grosso Do Sul). De acordo com ele, em alguns casos, o isolamento social acabou potencializando uma série de sofrimentos psicológicos.

Algumas situações do cotidiano como o abraço, as conversas presencias, e algumas atividades de lazer, acabam se tornando uma forma de proteção em relação a esses sintomas psicológicos. “São uma forma de viver experiências afetivas que são uma parte fundamental da vida.  A falta delas pode levar a um aumento do sentimento de solidão ou de sufocamento na mesma casa, com as mesmas pessoas”, explicou.

Conforme o professor, no caso da depressão, é como se os conflitos psicológicos se mantivessem, e as formas de diminuir a sua intensidade através do convívio social, se tornaram extintas ou remotas.

No caso da ansiedade, a explicação gira em torno do medo da perda. De alunos preocupados com a perda das aulas e de pessoas preocupadas com os prejuízos financeiros em diferentes áreas. “Vemos uma série de casos ligados ao medo crescente do contágio, às incertezas quanto ao futuro e às frustrações relativas a uma série de perdas e prejuízos que caminham para um aumento” detalhou.

“A ansiedade tem uma relação direta com um sentimento de incerteza de si, dos outros e da realidade, ou seja, quando nossas certezas parecem encontrar um limite frente ao medo, aos desencontros da vida e à proximidade incerta da morte. O isolamento se dá em função de um risco, mas um risco incerto, que ninguém tem condições de precisar exatamente os limites e os contorno” finalizou.

Vícios

Outra consequência debatida pelo professor foi sobre o consumo de álcool e drogas. Para ele, existe um aumento no consumo de álcool e drogas para pessoas que estão ou não no isolamento social, utilizando como fuga da realidade. “Álcool, drogas e outros vícios, por mais danosos que eles sejam tanto ao corpo quanto à saúde psicológica eles proporcionam ao seu usuário também uma relação de prazer que, muitas vezes, se sobrepõe inclusive em relação à própria realidade” comentou.

Para contextualizar a situação aos que não possuem vício, o doutor faz uma ponte entre a nossa relação com os Smartphones. “Eles tem se colocado entre nós e o mundo de uma maneira compulsiva, existem casos em que a  pessoa não fica desatenta do aparelho por 10 segundos,  porque  o celular se colocou no lugar da realidade, grau de dependência que se tornou maior inda na pandemia”

Soluções para o isolamento

Depois de quatro meses de pandemia, a solução para o psicólogo é de que os sul-matogrossenses façam duas atitudes para continuar o isolamento social, o cuidado e análise. “O cuidado para consigo mesmo e para com os outros que são importantes pra você , isso tem um sentido de amor próprio e amor ao outro”, explica.

“E uma experiência de análise, de constante avaliação em relação ao que tem nos auxiliado e ao que tem nos fragilizado durante essa experiência. Toda ajuda é bem-vinda, especialmente quando oferecida por profissionais especializados nessas práticas, os atendimentos remotos oferecidos por profissionais da área psicologia tem sido de grande apoio” finaliza.

Uma visão pós-pandemia

Juliana do Prado, de 36 anos, é doutora em sociologia e professora da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) no polo de Paranaíba. Para ela, é difícil estabelecer como será uma sociedade pôs pandemia, mas é possível afirmar algumas transformações nas relações humanas.

Ainda de acordo com ela, estamos em um momento que nos faz pensar sobre como nossas relações íntimas podem refletir na vida pública, avaliadas como seguras ou não, na medida em que podem significar contágios.“A Aids, por exemplo, alterou a forma de lidar com afetos e trouxe a normalização das condutas e moralização de determinados grupos sociais de acordo com a sexualidade. A pandemia do coronavírus também demonstra ter um aspecto moralizante que se destina a determinados grupos sociais”, contextualizou.

Conforme a doutora, o mercado digital também pode ser um divisor de águas, como mediador das relações humanas. “Eles oferecem ferramentas que viabilizam a aproximação social, ainda que em períodos de distanciamento, mas ainda não e  acessadas por todos. A pandemia solidifica a mediação do mercado  das tecnologias nas relações sociais, na educação, no trabalho e nos afetos. Esse não é um fenômeno novo, talvez estejamos visualizando isso apenas com mais evidência”.

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