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31 de agosto de 2020
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De uso obrigatório e essencial, máscaras ganham cores e estampas e viram peças de moda

As máscaras faciais se tornaram um item obrigatório para proteger a própria saúde e a dos outros, em meio à pandemia do novo coronavírus. Tanto que chega a ser difícil de imaginar como seria, hoje, sair de casa sem a peça. E se a máscara está no guarda-roupa de todos, naturalmente que aqueles que se interessam pelo universo fashion a tratem como mais um artigo de moda.

Na avaliação da jornalista Lilian Pacce, 58, consultora e curadora de moda, as máscaras são as novas camisetas e um bom outdoor de estilo e mensagens. “Além de se proteger, elas podem ser uma maneira de você se expressar”, diz ela, para quem o item continuará sendo essencial por pelo menos mais um ano. “A moda se mobilizou desde o começo, no sentido de colaborar mesmo. E acho bacana que muitas pessoas começaram a produzir e isso virou um negócio.”

Diversas opções de modelos, cores e estampas estão aí para provar que é possível manter o estilo mesmo em tempos de pandemia. O exagero nas cores e nos acessórios é uma marca do estilo da artista plástica Elisa Stecca, 54, que trabalha no segmento de joalheria e se diz apaixonada por moda. Agora, ela tenta se divertir ao integrar a máscara ao visual.

“Torna um pouco mais leve esse novo hábito. Para mim, é legal ter diversas possibilidades. É mais um item para você pensar, porque a máscara é também uma maneira de passar mensagens, com frases, desenhos, estampas”, diz Stecca.

“Existem duas maneiras de usar a máscara de uma forma estilosa. Ou você vai para uma linha mais ‘clean’ ou para um lado maximalista. Na minha opinião, mais é sempre mais”, acrescenta a artista plástica, aos risos.

Stecca resolveu investir no mercado de máscaras e idealizou uma coleção personalizada de máscaras bordadas à mão com uma amiga, a “Ask the Mask”. Ela explica que o tecido especial e de alta costura, faz com que seja o diferencial do produto. “Eu vejo essa dualidade, entre ter uma máscara bastante funcional, tecnológica, industrial, e essa super artesanal.”

Assim como qualquer outro item, a máscara ideal é aquela que atende ao estilo de quem a usa. “Você tem a opção de ficar invisível com uma máscara neutra ou de fazer uma afirmação muito individual”, diz Stecca.

Há três meses confeccionando máscaras, a artesã Fabiana Madeira, 47, diz que tem percebido uma mudança na preferência dos clientes. “As mais discretas estão sendo o pedido do momento, mas tem de tudo, depende do cliente”, conta. Ela avalia que o retorno gradual das atividades e do trabalho presencial têm feito com que as pessoas -mesmo aquelas que não são tão ligadas à moda- deem atenção especial à máscara.
“O pessoal está preferindo coisas que combinem mais com as roupas, com o dia a dia”, conta Madeira. Há cinco anos ela tem uma marca de acessórios artesanais, a Bellaluna. Ela começou a fazer máscaras para o marido e os filhos e acabou redescobrindo a paixão pela costura.

“Quando vi já estava cheia de pedidos de amigos, familiares e conhecidos”, diz a artesã, que atualmente transita entre Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e Barra do Una, litoral norte do estado. Madeira tem investido na chamada “máscara 3D”, com tecido de algodão, modelo que, segundo ela, é o mais pedido e dos clientes.

“É mais confortável. Tem um formato mais largo, com duas costuras no meio, que faz com que o tecido fique um pouco mais afastado do nariz e da boca. Quem usa geralmente fala que dá para respirar melhor”, afirma Madeira, que também aposta na produção de máscaras combinadas para mãe e filha, com estampas iguais, e diz que a ideia tem feito sucesso. “As mães também podem acompanhar os pequenos, sem precisar usar estampas de bichinhos ou desenho.”

A bancária Vanessa Fosenca, 37, comprou o modelo 3D para usar com a filha, Manuela, de quatro anos, e aprovou as peças. “Foi o único modelo que a minha filha conseguiu colocar e retirar sozinha devido aos elásticos ajustáveis.”

MODA MASCULINA
Engana-se quem pensa que homens não ligam para estilo. A artesã Fabiana Madeira explica que os pedidos por máscaras masculinas vêm sempre acompanhados de ressalvas. “Eles pedem estilos mais discretos e cores escuras, como preto e azul-marinho. Essas saem bastante.”

Para o empreendedor e professor de marketing, Higor Felipe Batista, 33, além da praticidade, as peças discretas são mais fáceis de combinar com as roupas. “Mesclar as roupas com as máscaras, para mim, não é um problema. A máscara tem a função primária de proteção da saúde, que é o seu real objetivo. Mas, por que não aliar proteção e estilo? Uma coisa, necessariamente, não invalida a outra”, diz Batista, que sempre gostou de se vestir bem desde pequeno.

“Minha mãe costuma falar que eu, apesar de muito novo, criança ainda, era mega exigente [risos]. Ela diz que eu me recusava a vestir o que não gostava. Não considero estilo uma trivialidade, superficialidade, como muitos dizem por aí”, reforça o empreendedor paulista, que busca sempre transparecer seu bom gosto até quando está de máscara.

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