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14 de setembro de 2020
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Anomalia colossal no campo magnético sobre o Brasil está crescendo

A Nasa está monitorando um bizarro “buraco” no campo magnético do planeta: a Anomalia Atlântico Sul, uma área vasta com atividade magnética reduzida que se localiza sobre o Brasil até o sudoeste da África.

A conhecida Anomalia do Atlântico Sul, deixa cientistas com a pulga atrás da orelha há tempos. Nessa região satélites e sondas espaciais tem maior vulnerabilidade a partículas emitidas pelo sol.

Os problemas causados pela Anomalia Atlântico Sul

A anomalia do Atlântico Sul é um “buraco” no campo magnético da Terra que parece não afetar a vida, mas é um problema para os equipamentos que a orbitam, inclusive a Estação Espacial Internacional (EEI), segundo o Science Alert.

Quando as sondas passam pela anomalia as peças eletrônicas podem queimar ou apresentar erros ao serem atingidos por prótons de alta energia vindos do sol.

Essas colisões de prótons de alta energia nos equipamentos eletrônicos podem normalmente produzir pequenos erros, mas tem o potencial de levar a grandes perdas de informações ou danos irreparáveis em dispositivos importantes. Estes riscos obrigam que muitos satélites sejam desligados durante a travessia da região.

Por isso e por causa da curiosa complexidade da Anomalia Atlântico Sul que a Nasa a investiga ativamente usando suas amplas ferramentas.

Como se dá o enfraquecimento do campo magnético da Terra

“O campo magnético é na verdade uma superposição de campos de muitas fontes de corrente”, disse Terry Sabaka, geofísico do Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, Maryland, EUA.

A mais potente destas fontes é o núcleo de ferro derretido da Terra que está em constante movimento, a milhares de km sob nossos pés. Esse movimento ininterrupto cria correntes elétricas que geram o campo magnético da Terra, mas que aparentemente não tem uma uniformidade.

A 2,9 mil km sob o continente africano há um gigantesco reservatório de rochas muito densas que perturba o campo magnético da Terra e, junto ao eixo inclinado do planeta o enfraquece significativamente.

“A Anomalia Atlântico Sul observada também pode ser interpretada como uma consequência do enfraquecimento da dominância do campo dipolo na região. Mais especificamente, um campo localizado com polaridade invertida cresce fortemente na região da Anomalia Atlântico Sul, tornando a intensidade do campo muito fraca, mais fraca do que nas regiões ao redor”, afirmou o matemático e geofísico Weijia Kuang, também do Goddard da Nasa.

Ainda há muitos mistérios sobre a anomalia e o que ele pode acarretar e novos estudos vão gradualmente esclarecendo o que pode estar acontecendo.

A Anomalia Atlântico Sul se dividindo em duas

Uma pesquisa de 2016 indica que a anomalia parece estar se quebrando em duas partes separadas, com dois pontos de pouca atividade magnética separados dentro da grande anomalia.

Não sabemos o que isso quer dizer exatamente, mas há indícios de que o fenômeno não é uma novidade e vem ocorrendo na Terra durante ao menos os últimos onze milhões de anos.

Se esse for realmente o caso talvez a Anomalia Atlântico Sul seja apenas um evento recorrente e não uma indicação de que uma inversão dos polos magnéticos da Terra esteja perto de acontecer.

“Apesar da Anomalia Atlântico Sul ser lenta, ela está passando por algumas mudanças na morfologia, então também é importante que continuemos observando-o por meio de missões contínuas. Porque é isso que nos ajuda a fazer modelos e previsões”, afirmou Sabaka.

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