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29 de janeiro de 2020
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Com primeira suspeita de coronavírus, Saúde de MS define estratégias

Secretário disse que uma suspeita foi descartada na Capital – Foto: Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado

As secretarias de saúde de Mato Grosso do Sul já definiram estratégias para eventuais notificações do coronavírus. Nesta segunda-feira (28), o Ministério da Saúde anunciou a primeira suspeita da doença no Brasil.

Para o titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande, José Mauro de Castro Filho, a situação é complexa e bastante nova para as autoridades. “Estamos seguindo as recomendações do ministério. São estratégias como o do surto de ebola”, ressaltou o secretário, citando o surto do vírus que circulou entre 2014 e 2015.

A Capital chegou a atender uma jovem que passou pelo Japão na última semana, mas segundo Castro Filho, a paciente não tinha sintomas compatíveis e o caso não chegou a ser registrado.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que também está preparando para atender eventuais casos, atendendo recomendações do Ministério da Saúde. “Os casos suspeitos estáveis vão ficar em isolamento no serviço em que deram entrada. Caso seja necessário a regulação irá encaminhar o paciente para um hospital de referência. Serão considerados casos suspeitos quem tiver sintomas respiratórios e tem histórico de passagem pela cidade da China em que o vírus está circulando”, diz o texto. A pasta informou ainda que terá apoio técnico da equipe de infectologia do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande.

PREOCUPAÇÃO
Os campo-grandenses acompanham o noticiário sobre a circulação desse vírus com preocupação. Para a estudante Cícera Patrícia de Souza, de 32 anos, o temor é pelo filho de 1 ano e 8 meses, que tem necessidades especiais. “Fico bastante preocupada, porque tenho um filho especial, com problemas no pulmão. Estamos higienizando, usando álcool em gel e tentando evitar contato”, explicou.

Dono de uma banca de jornais, Mário Toshio Ayabe, de 64 anos, acredita que a situação assusta. “Tem que tomar cuidado como qualquer outro vírus. Assusta pela propagação e a rapidez [do contágio]”, afirmou.

Já para o aposentado Herculino Rodrigues Ribeiro, não existe ainda razão para se preocupar. “Não é motivo de preocupação ainda. Acho que ainda está tranquilo”, ressaltou.

CASOS NO BRASIL

Hoje, o Ministério da Saúde publicou o primeiro boletim epidemiológico do coronavírus, que aponta um caso suspeito em Minas Gerais, que também registrou duas notificações e descartou outro. Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina notificaram e descartaram outros dois, enquanto Rio Grande do Sul e Distrito Federal registraram e excluíram um cada. As demais unidades da Federação não tem notificações.

Mandetta também orientou que as pessoas evitem viajar para a China, onde o vírus se originou. “Nós desaconselhamos e não proibimos as viagens para a China. Não se sabe, ainda, qual é a característica desse vírus que é novo; sabemos que ele tem alta letalidade. Não é recomendável que a pessoa se exponha a uma situação dessas e depois retorne ao Brasil e exponha mais pessoas. Recomendamos que, não sendo necessário, que não se faça viagens, até que o quadro todo esteja bem definido”, explicou.“O que muda é o grau de vigilância nessa fase. Aumenta a nossa vigilância de portos e aeroportos, triagem de pacientes, o uso de determinado equipamentos de proteção, mas o nosso foco principal nesta fase é a vigilância”, disse o ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). A pasta elevou o nível de atenção para alerta de perigo iminente para a presença do vírus no país.

Ações de higiene comuns para evitar outros vírus também são válidas para o coronavírus.  “Lavar as mãos, evitar espirrar e tossir sem proteger a pessoa que está na sua frente, evitar tocar nos olhos, nariz, boca e evitar tocar pessoas que estejam doentes, pode prevenir. Além disso, é sempre bom ficar em casa se estiver doente para não expor outras pessoas. São orientações típicas de prevenção de vírus”, finalizou Mandetta.O ministro também destacou o Brasil está preparado para responder aos casos registrados no País. “Temos um sistema de vigilância robusto, reconhecidamente robusto, que já passou por três momentos de muita intensidade: SARS, Influenza e zika. Em todas as ocasiões nosso sistema de saúde respondeu muito bem”, garantiu.

O Ministério das Relações Exteriores informou que não há orientação do governo para a retirada de brasileiros que vivem na China. Por meio de nota, a pasta disse que a embaixada brasileira em Pequim está acompanhando a situação dos brasileiros que vivem na China. De acordo com o Palácio do Itamaraty, o governo chinês mantém comunicação constante com os representantes diplomáticos e consulares e, até o momento, não considera a hipótese de organizar a retirada de estrangeiros das áreas já em situação de isolamento.

CASOS PELO MUNDO

Os primeiros casos da doença foram registrados no fim de 2019 na China. Hoje, já há casos na Coreia do Sul, Japão, Cingapura, Vietnã, Tailândia, Nepal, Malásia, Austrália, Estados Unidos, Canadá e França.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até ontem (27), foram confirmados 2.798 casos do novo coronavírus, batizado 2019-nCoV, em todo o mundo. A maior parte na China (2.761), incluindo a região administrativa de Hong Kong (8 casos confirmados), Macau (5) e Taipei, capital de Taiwan (4).

O QUE É?

O coronavírus é um novo vírus que tem causado doença respiratória pelo agente de mesmo nome. Esse vírus faz parte parte de uma grande família viral, conhecida desde a década de 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais.

Geralmente, infecções por coronavírus causam doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. Alguns coronavírus podem causar doenças graves com impacto importante em termos de saúde pública, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), identificada em 2002 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), identificada em 2012.

As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato, está ocorrendo. É importante observar que a disseminação de pessoa para pessoa pode ocorrer de forma continuada.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa. Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como tosse e espirros.

Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. Os principais são sintomas são febre, tosse e dificuldade para respirar.

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