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11 de janeiro de 2020
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Escolas militarizadas vão exigir presença das famílias de alunos

Escola Estadual Alberto Elpídio Ferreira terá o apoio do Corpo de Bombeiros – Foto: Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

As famílias de alunos das duas escolas cívico-militares de Campo Grande serão peça-chave no funcionamento das instituições. Além de participar das reuniões, os pais ou responsáveis deverão ir a encontros da comunidade escolar.

Selecionadas para o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) do Ministério da Educação (MEC), essas unidades vão ter, a partir deste ano, militares do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM) para auxiliar na gestão e ensino das unidades em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SED). A Escola Estadual Marçal de Souza Tupã-Y, no Jardim Los Angeles, região sul de Campo Grande, receberá a PM. Já a Escola Estadual Alberto Elpídio Ferreira Dias, no Jardim Anache, no norte da Capital, terá apoio dos bombeiros.

Em dezembro de 2019, os diretores das unidades e uma técnica da SED passaram por capacitação em Brasília (DF). “O objetivo era mostrar como vai funcionar esse modelo. A gestão das escolas cívico-militares é focada na excelência. Então, a gestão pedagógica cuida mais da parte do aprendizado e do acompanhamento do estudante e a gestão educacional fica com a questão de normas de conduta, horários, uniformes e valores”, explicou a professora Eliana Verneque Soares, diretora da Escola Estadual Alberto Elpídio Ferreira Dias.

Essa unidade vai funcionar em tempo integral, enquanto a escola do Jardim Los Angeles manterá os três turnos de aula. “Houve uma consulta com a comunidade, que preferiu manter como está”, justificou o diretor da Escola Estadual Marçal de Souza, Ademir Medeiros dos Santos Júnior.

Com a entrada dos militares nas escolas, Eliana avalia que os educadores podem focar na gestão da escola. “O que acontece hoje é que a direção e a coordenação das escolas trabalha muito em função da correção disciplinar dos estudantes e os outros serviços da escola vão ficando para trás. Com esse apoio dos oficiais do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, nosso trabalho será mais voltado à questão administrativa e pedagógica, porque a questão disciplinar esses oficiais vão tomar conta”, afirmou.

No calendário escolar estão previstos quatro sábados em que as famílias dos alunos deverão comparecer às escolas. “A família vai ter de acompanhar esse estudante. No momento da matrícula é assinado um termo de compromisso, comprometendo-se a acompanhar o aluno e a comparecer quando for chamado”, explicou Eliana.

Com esse vínculo, os educadores esperam diminuir a evasão escolar, que é quando o aluno, por qualquer motivo, deixa de ir à escola. “O objetivo macro é o aprendizado do estudante e a diminuição da evasão. Precisamos resgatar esses meninos para que a escola seja interessante para eles”, disse a diretora.

Para a coordenadora das Escolas Cívico-Militares (Ecim) da SED, Tatiana Marangoni, ao manter o aluno estudando, ele acaba difundindo boas práticas na comunidade. “O aluno é o ator principal e o multiplicador de boas práticas. A partir daí, ele vai, de certa forma, influenciar outros”, afirmou.

CURRÍCULO ESCOLAR

As disciplinas do currículo comum, como Língua Portuguesa e Matemática, serão mantidas e ministradas por professores da SED. Os militares vão contribuir em outras atividades. Entre as matérias eletivas, que o estudante pode escolher seguir, está a Educação para a Cidadania.

No caso da escola do Jardim Anache, a direção estuda desenvolver atividades esportivas e científicas. Está em construção uma quadra e uma pista de atletismo. As obras de todo o complexo devem ser concluídas em janeiro.

PROGRAMA

Anunciado no dia 5 de setembro, o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (Pecim) do Ministério da Educação (MEC) deve implementar as mudanças em 216 colégios até 2023, começando com 54 em 2020. O modelo será levado, preferencialmente, para regiões que apresentam situações de vulnerabilidade social e baixos desempenho nos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

No último dia para estados e interessados se inscreverem no programa, o governo do Estado anunciou a indicação das duas escolas de Campo Grande para o Pecim. A SED realizou uma consulta pública nos dois bairros, tendo 93% de aprovação no Anache e quase 80% no Los Angeles.

Para a seleção, o MEC levou em conta critérios como a escola inscrita estar na capital do estado ou pertencer à região metropolitana, estar situada na faixa de fronteira e a faixa populacional, considerando a realidade estadual. Logo no lançamento, o governo abriu prazo para os estados manifestarem interesse. Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e outros 14 estados aderiram. Depois, foi a vez dos municípios e mais de 600 cidades pediram para participar — incluindo Corumbá.

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