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7 de janeiro de 2020
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“Negligência dos pais”, diz conselheira sobre caso de menina acorrentada

Alicate usado pela adolescente para se livrar das correntes (Foto: Clayton Neves)

“O que se percebe é a negligência dos pais”, avalia a conselheira Alice Arakaki Yamazaki, que atendeu o caso da adolescente de 12 anos, acorrentada pelo pai, pedreiro de 32 anos, no último sábado (4), no Bairro Coophavila II, em Campo Grande.

O pai foi autuado por lesão corporal (violência doméstica) e maus-tratos qualificado, em razão de o crime ter sido cometido contra pessoa menor de 14 anos. Ele passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (6) e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. A decisão foi do juiz Luiz Felipe Medeiros Vieira.

Segundo a conselheira, a família vive em conflito e vinha sendo acompanhada pela rede de assistência. Desde de sábado, a adolescente está em um abrigo da cidade sob a guarda do estado. Por diversas os pais foram orientados sobre essa questão de violência doméstica. O estado entra com a proteção da criança, mas a educação vem dos pais”, disse.

Ela explicou ainda que o propósito é que a menina conviva com a família, somente em caso extremo os pais perdem a guarda. Porém, a situação ficará a cargo do juiz da infância. O caso é investigado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). No dia do episódio, a menina havia comentado com a família que estava grávida, mas a conselheira disse que não é verdade.

O pai da adolescente já respondia processo por maus-tratos contra a filha que na época tinha 8 anos. Esse caso foi registrado em maio de 2015. Na ocasião, ao ser ouvida em depoimento especial na delegacia, a vítima relatou que ela e os irmãos sofriam agressões físicas e psicológicas tanto do pai alcoólatra quanto da mãe.

Já em agosto deste ano, foi a vez do pai procurar a polícia para registrar que a adolescente havia fugido de casa, por volta das 16h do dia 28, somente com a roupa do corpo, para ficar com o namorado, também menor de idade. O pedreiro relatou ainda que, o motivo da garota ter ido embora era porque ele não aceitava o relacionamento dos dois.

Crime – Na noite do último sábado (4), o pedreiro foi preso em flagrante ao levar a filha adolescente acorrentada na altura do pulso direito até o pelotão da Polícia Militar do Bairro Coophavila II. Ele queria ajuda dos policiais para evitar que a menina se encontrasse com o namorado.

A adolescente já vinha sendo acorrentada e trancada na casa onde vivia com os pais, mas mesmo assim tinha conseguido fugir para ver o garoto. A menina, inclusive, apresentava hematomas na altura de um dos braços e pernas. Em razão do fato, o Conselho Tutelar foi acionado e o homem levado para a delegacia.

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