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8 de novembro de 2019
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Estudo revela o que torna as músicas agradáveis

O cantor e ator americano Jack Black, da banda de rock Tenacious D, no festival Rock in Rio – AFP/Arquivos

Um grupo de pesquisadores que analisou estatisticamente dezenas de milhares de progressões de acordes em hits clássicos da Billboard dos EUA diz ter descoberto o que torna algumas músicas tão agradáveis. De acordo com os cientistas, a resposta está na combinação certa de incerteza e surpresa.

Vincent Cheung, do Instituto Max Planck de Cognição Humana e Ciência Cerebral, na Alemanha, que liderou o estudo, disse à AFP que os dados podem até ajudar os compositores em suas criações.

“É fascinante que os humanos possam obter prazer de uma peça de música apenas pela maneira como os sons são ordenados ao longo do tempo”, disse.

Os compositores sabem intuitivamente que a expectativa tem um papel importante no prazer que obtemos da música, mas a relação exata permanecia nebulosa.

Em um artigo publicado pela revista Current Biology nesta quinta-feira, Cheung e coautores selecionaram 745 músicas pop clássicas da Billboard dos EUA de 1958 a 1991, incluindo “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, dos Beatles, “Red red wine”, da UB40, e “Knowing me, knowing you”, do ABBA.

Eles então usaram um modelo de aprendizado de máquina para quantificar matematicamente o nível de incerteza e surpresa de 80.000 progressões de acordes em relação um ao outro e tocaram uma pequena seleção para cerca de 80 indivíduos conectados a scanners cerebrais de ressonância magnética funcional (fMRI).

Os cientistas descobriram que quando os sujeitos do teste estavam relativamente certos sobre qual acorde esperar em seguida, eles acharam agradável quando foram, em vez disso, surpreendidos.

Por outro lado, quando os indivíduos não tinham certeza do que esperar em seguida, acharam agradável quando os acordes subsequentes não eram surpreendentes.

O prazer musical em si era refletido na amígdala, hipocampo e córtex auditivo do cérebro – regiões associadas ao processamento de emoções, aprendizado e memória, e processamento de sons, respectivamente.

Contrariamente a pesquisas anteriores, a equipe descobriu que o núcleo accumbens – uma região que processa expectativas de recompensa e que se pensava desempenhar um papel no prazer musical – refletia apenas a incerteza.

Cheung explicou que ele e seus colegas decidiram reduzir a música a apenas acordes porque as letras e a melodia poderiam lembrar os ouvintes de associações ligadas às músicas e contaminar o experimento.

Mas, acrescentou, a técnica poderia ser aplicada igualmente para investigar melodias, e ele também está interessado em entender se as descobertas permanecem semelhantes para outros gêneros, como o jazz, e tradições musicais não ocidentais, como as da China e da África.

O estudo se enquadra amplamente no campo relativamente novo da musicologia computacional, que fica na interseção entre ciência e arte.

Então os dados poderiam ajudar a desbloquear a fórmula mágica para escrever músicas?

“É uma característica importante que pode ser explorada, mas não seria a única coisa que pode ser usada para criar uma música pop”, disse Cheung.

A equipe descobriu que as três progressões de acordes mais bem avaliadas que tocaram para os participantes do estudo apareceram em “Invisible Touch”, da banda inglesa Genesis dos anos 80, no hit de 1968 “Hooked On A Feeling”, de BJ Thomas, e no clássico dos Beatles “Ob-La-Di, Ob-La-Da “.

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