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10 de outubro de 2019
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Vendas do comércio crescem 0,1% em agosto e setor tem 3ª alta seguida

Vendas do varejo — Foto: Celso Tavares/G1

As vendas do comércio varejista cresceram 0,1% em agosto, na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a terceira alta mensal seguida.

Na comparação com agosto de 2018, o avanço foi de 1,3%. No acumulado em 8 meses, a alta é de 1,2%. Já no acumulado em 12 meses, entretanto, houve desaceleração, com a taxa de crescimento passando de 1,6% em julho para 1,4% em agosto, o que indica perda do ritmo de recuperação do setor, que permanece no patamar de vendas de meados de 2015.

Supermercados sustentam alta

Segundo o IBGE, 4 das 8 atividades pesquisadas tiveram alta no volume de vendas em agosto. Veja o desempenho de cada segmento em agosto:

  • Combustíveis e lubrificantes: -3,3%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,6%
  • Tecidos, vestuário e calçados: -2,5%
  • Móveis e eletrodomésticos: -1,5%
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: -0,3%
  • Livros, jornais, revistas e papelaria: 0,2%
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 3,8%
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 0,2%
  • Veículos, motos, partes e peças: -1,7% (varejo ampliado)
  • Material de construção: -0,8% (varejo ampliado)

A alta média de 0,1% em agosto foi garantida principalmente pelos super e hipermercados (0,6%) e artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%). Juntos, os dois setores correspondem a mais de 60% do total do varejo.

“O aumento nos dois grupos indica um perfil de consumo mais básico, associado às classes de rendimento mais baixas da população”, explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

Também houve altas nas vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,8%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%).

Por outro lado, caíram as vendas de combustíveis e lubrificantes (-3,3%), tecidos, vestuário e calçados (-2,5%), móveis e eletrodomésticos (-1,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,3%).

Para o IBGE, a queda nestes segmentos indicam que a população está dedicando mais seu orçamento às “compras de primeira necessidade”.

“O equilíbrio entre essas quatro categorias em queda com dois grandes setores em alta levou o mercado a um patamar mais próximo da estabilidade”, avaliou a pesquisadora.

Já o comércio varejista ampliado, que inclui veículos automotivos (-1,7%) e material de construção (-0,8%), ficou estável na passagem de julho para agosto. “Novamente, foram os supermercados e alimentos que serviram de contrapeso para esses resultados negativos, mantendo o índice geral estável”, concluiu Isabella.

Recuperação lenta e perspectivas

Os indicadores econômicos mostram que a recuperação da economia segue em ritmo lento, mas a expectativa é de relativa melhora neste 2º semestre, em meio a um cenário de juros em queda, maior geração de postos de trabalho, ainda que puxada pela informalidade, e melhora da confiança após a aprovação final da reforma da Previdência.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio, medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), atingiu em outubro o maior patamar em 5 meses. O comércio aposta que a liberação dos saques das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo PIS-Pasep ajudará a acelerar o consumo nestes últimos meses do ano. A CNC estima que R$ 13,1 bilhões (44% do total previsto a ser injetado na economia) será destinado para gastos no comércio e consumo de serviços.

A projeção do mercado financeiro para estimativa de alta do PIB deste ano permanece em 0,87%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, ainda abaixo do ritmo de crescimento de 1,1% registrado em 2017 e 2018. Para 2020, a previsão de crescimento do PIB continua em 2%.

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