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23 de agosto de 2019
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“No século 21, o agronegócio e a conservação ambiental precisam andar juntos”

Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Crédito: Divulgação)

Quando iniciamos o ano, as primeiras estimativas já apontavam para uma produção de grãos, em 2019, que deve chegar em 233,4 milhões de toneladas, puxada pela soja e pelo milho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado deverá ser a segunda maior marca da história, só perdendo para a safra 2016/2017, que foi de 237,6 milhões de toneladas. Tamanho aumento de produtividade agrícola impressiona. Aliado a isso, a demanda mundial por alimento é crescente, sobretudo na Ásia.

Com relação ao novo governo, estamos confiantes de que a equipe que assume o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fará um bom trabalho. A ministra Tereza Cristina conhece o assunto e tem larga experiência no setor. Além dela, o secretário executivo, Marcos Montes, teve um desempenho exemplar na presidência da Frente Parlamentar da Agropecuária, com muita sensibilidade para tratar as necessidades do setor.

Excelências e otimismos à parte, não dá para ignorar os obstáculos. O primeiro tem a ver com a precária ou até inexistente infraestrutura logística. Quando estiver em funcionamento, a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, poderá reduzir em até 40% os custos de produção e escoamento da soja do Centro-Oeste. Também será fundamental um trabalho intenso no aumento e na melhoria da conectividade na área rural. O atual estágio da agricultura brasileira demanda a adoção de modernas ferramentas de comunicação. E a maioria delas depende de uma robusta plataforma digital e inserção de novas técnicas, cujo impacto na qualidade das lavouras é enorme.

Com toda essa bagagem e esse importante retrospecto, aliado a uma forma de manejo com forte atuação na área da preservação ambiental, com a adoção de técnicas inovadoras, como a Agricultura de Baixo Carbono (ABC), estamos consolidando todas as condições para liderar as transformações necessárias para contribuir para a segurança alimentar e com a geração de energia renovável no nosso planeta. Para isso, teremos de mostrar a nossa capacidade de atender à demanda que nos foi colocada de fora para dentro, de crescermos 41% em 10 anos.Outro grave obstáculo são os descuidos recorrentes nas questões ambientais e fitossanitárias. O potencial do agronegócio brasileiro já incomoda a concorrência, que, de forma protecionista, pode usar como argumento nas relações comerciais as supostas infrações na área ambiental, falhas na especificação de produtos ou à inobservância de critérios fitossanitários. No caso ambiental, por sermos um país tropical de riquíssima biodiversidade, nossa obrigação supera o trivial. Quem tem a Amazônia como um patrimônio de riqueza insuperável – como Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, entre outros – há de se mostrar extremamente responsável e sustentável no desenvolvimento dessa região, tão vital a todo o planeta.

No século 21, a produção agropecuária e a conservação ambiental devem andar juntas. No que tange à produção sustentável, não podemos atuar de forma individual. Somos parte de uma cadeia que requer rastreabilidade total, da produção ao consumo. Assim, as ações do Brasil refletem no mercado comprador e vice-versa. Enfim, o País desfruta de oportunidade histórica no agronegócio, desde que o setor se empenhe em enfrentar os problemas.

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