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13 de dezembro de 2018
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Maduro acusa EUA e Brasil de complô para tirá-lo do poder

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou nesta quarta-feira, dia 12 de dezembro, os Estados Unidos de liderarem um complô com os governos de Brasil e Colômbia para derrubá-lo do poder e “assassiná-lo”. Segundo ele, os norte-americanos preparam um plano “para impor um governo ditatorial na Venezuela”.

Em entrevista coletiva, Maduro afirmou que John Bolton, conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, incentiva “ações de provocação” dos dois vizinhos na fronteira. E acrescentou, referindo-se ao Brasil, que “vai dar uma lição” caso haja uma intervenção militar na Venezuela.

“Dizer que uma força militar brasileira vai invadir a Venezuela é coisa de louco. Vocês acham que nesta terra não há quem a defenda? Que não se enganem nunca, porque vamos a dar eles uma lição que não vão esquecer por mil anos. Vamos dar uma lição de dignidade e de força também. Aos loucos da ultradireita, seja do Brasil, da Colômbia ou de onde seja”, afirmou Maduro.

Ao se referir ao governo do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, o venezuelano disse: “É um mais louco do que o outro”. Maduro também afirmou que o vice eleito, General Mourão, “fala todos os dias como presidente paralelo e todos os dias define a política internacional” do Brasil.

Apesar das declarações, o presidente venezuelano ponderou que “as forças militares do Brasil querem paz e cooperação” com o país vizinho.

“Ninguém no Brasil quer que o novo governo Bolsonaro se meta em uma aventura militar contra a Venezuela”, afirmou Maduro.

Mais tarde, o presidente da Colômbia, Iván Duque, negou que esteja preparando “atos hostis” contra a Venezuela. “A Colômbia não está, sob hipótese alguma, pensando em ato hostil nem em atitude belicista com nenhum país da região”, afirmou o colombiano a jornalistas.

Ainda na campanha presidencial, Bolsonaro negou intenção de entrar em confronto com a Venezuela. “Ninguém quer fazer guerra com ninguém”, afirmou, em agosto. O vice dele, General Mourão, também rejeitou uma intervenção, mas disse que o Brasil participaria de uma missão da ONU como força de paz no país vizinho.

Bolton, Bolsonaro e Duque

John Bolton, braço direito de Donald Trump para segurança nacional, vem se aproximando dos presidentes eleitos na Colômbia e no Brasil em 2018. O conservador Iván Duque tomou posse em agosto deste ano após vencer as eleições presidenciais na Colômbia.

No dia seguinte ao segundo turno da eleição no Brasil, John Bolton parabenizou Bolsonaro e disse que as vitórias de Duque e do então candidato do PSL representavam “um sinal positivo para a América Latina”.

“As recentes eleições de líderes afins em países-chave, incluindo Iván Duque na Colômbia e, no último final de semana, Jair Bolsonaro no Brasil, são sinais positivos para o futuro da região e demonstram um crescente compromisso regional com princípios de livre mercado e governança aberta, transparente e responsável”, disse naquela data.

No fim de novembro, Bolsonaro recebeu Bolton em casa, no Rio de Janeiro. Os dois tomaram café da manhã juntos, e o norte-americano convidou o presidente eleito a visitar os Estados Unidos.

Maduro e Putin

Há uma semana, Maduro se encontrou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou. Na ocasião, o russo afirmou repudiar “uso da força” para mudar a situação política na Venezuela.

Quais os riscos de uma intervenção dos EUA na Venezuela?

Putin ainda enviou à Venezuela aviões militares capazes de transportar armas nucleares, em um exercício de cooperação militar bilateral. A ação irritou os Estados Unidos, e a Rússia afirmou aos norte-americanos que vai retirar as aeronaves do território venezuelano até esta sexta-feira (14).

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