Coxim, MS
18 de novembro de 2018
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Cor de lama, Rio da Prata expõe reflexo da exploração comercial

Rio da Prata depois de chuva na região. (Foto: Divulgação).

Um dos motivos de orgulho do sul-mato-grossense é espalhar por aí que são ‘nossas’ as águas cristalinas capazes de encantar gente do mundo todo. Em Jardim, o Rio da Prata é um destes cenários espetaculares que, de alguns anos para cá, tem mudado a ‘cara’ toda vez que a chuva, tão comum neste período, cai naquela região.

As imagens, registradas pelos donos do Seu Assis Camping e Balneário, que fica a 35 km da área urbana de Jardim, mostram a maneira que o rio ficou após a forte chuva de sábado (dia 17). O vídeo [disponível abaixo] mostra a água barrenta que caiu no local.

Água cristalina em dia sem chuva em Jardim. (Foto: Divulgação).

Longe da transparência vista diariamente, a água está marrom da terra que a precipitação trouxe. “Ver o rio nesse estado dá vontade de chorar”, diz Diego Scherer Luciano, um dos donos e que trabalham diariamente no balneário.

Ele comenta sobre as lavouras em torno da região e que a atividade, ao longo do tempo, agravou a situação. Toda vez que chove muito em Jardim, assim como em Bonito e Bodoquena, as águas ficam mais turvas, mas Diego afirma que da forma como está hoje aconteceu outras duas, em um balneário que existe desde 1997.

A cidade fica bem perto de outras duas tão belas pelas águas cristalinas quanto. Bodoquena e Bonito junto com Jardim completam o principal roteiro turístico de Mato Grosso do Sul. Nestes locais, passam milhares de turistas diariamente e sempre foram lembrados pela preservação ao meio ambiente.

“Toda vez que chove fica assim, mas não desse jeito, de uns tempos para cá piorou. É a atividade perto do rio [que prejudica]. Tem maneiras de se fazer para não deixar a terra vermelha, esse barro, cair para dentro da água”.

Hoje, o balneário está aberto para visitação e banho, contudo, o dono afirma que muitos turistas chegam perto da água e logo se afastam. Para que a água torne a ser cristalina novamente leva pelo menos uma semana.

Ajuda

“Não podemos colocar em risco o mais importante cenário do Estado, se não do País”. A fala é do coronel reformado Ângelo Rabelo, que hoje atua no Instituto Homem Pantaneiro. Para ele, há diversos fatores que prejudicam as águas, desde a manutenção das estradas vicinais que cruza o Prata. “Nós também temos o problema do banhado, que está na Justiça. Estamos brigando para quer o banhado seja transformado em uma área protegida”.

Estado no Rio da Prata na manhã deste domingo (Foto: Divulgação).

Ele se refere a uma fazenda que fez um desvio do leito do Rio da Prata para formação de um lago particular.

Outra busca é sobre a aplicação da lei estadual de autoria do deputado Paulo Corrêa (PSDB). A legislação já foi aprovada e o problema é que até agora não foi regulamentada, portanto, não pode ser cobrada pelas autoridades.

Na prática, a medida eleva para 150 metros a distância mínima de qualquer construção dos rios do Estado. “Sem isso, não conseguimos cobrar”, lamenta. O Instituto Homem Pantaneiro também trabalha por um pacto, prestes a ser assinado, que prevê anuência dos proprietários rurais e donos de atrativos.

“Ficou aprovado que o que nos une é água e quais serão as iniciativas para proteção delas. É possível conviver [crescimento e meio ambiente], mas precisamos de regras. Todos perdem”. O coronel falou também sobre Bonito, que hoje tem 60% a 70% da população dependente diretamente do turismo para sobreviver.

A partir de agora, o Instituto Homem Pantaneiro vai visitar algumas propriedades rurais daquela região. Há informações de que algumas fazendas retiraram parte da mata ciliar para o gado poder beber água. “E neste período, o histórico de chuva é crítico, aumentou muito. Isso obriga a manter a mata e ampliar a manutenção”.

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