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9 de novembro de 2018
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Servente preso suspeito de ter agredido filha de 9 meses é solto pela justiça

Servente de pedreiro sendo apresentado na delegacia. (Foto: Divulgação)

Preso a pouco mais de três meses, um servente de pedreiro, de 23 anos, suspeito de ter agredido a própria filha de apenas nove meses, será posto em liberdade até esta sexta-feira (09) em Campo Grande.

À época da prisão, dia 29 de julho, a mãe da menina disse a ter encontrado com ferimentos no rosto, costas e braços, depois de sair de casa, e que segundo o marido teriam sido causados por uma queda da cama.

Na delegacia, ele chegou a dizer que o homem poderia ter jogado a criança na parede, no entanto, no decorrer do processo a mãe mudou a versão e disse que estava em casa, mas dormindo, quando houve a situação. E que o marido nunca havia sido agressivo com os filhos.

Laudos periciais e pareceres psicossociais também não teriam atestado sinais de agressão ou que a criança chegou a correr risco de vida, como aponta denúncia do MP (Ministério Público). As informações foram repassadas pela defesa do suspeito, o advogado Cristiano Alves Pereira, que também deu detalhes da versão do servente sobre o ocorrido.

No dia do suposto acidente, o rapaz estaria dando banho na irmã gêmea da criança, que estava em cima da cama, mas em determinado momento caiu com a cara no chão. O suspeito e a esposa, que estava em casa, levaram a criança ao UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica, onde os médicos teriam autorizado apenas a entrada da mãe durante o atendimento da criança.

Desconfiados de que o pai é quem teria agredido o bebê eles acionaram a Polícia Militar. “Desesperado, diante da acusação, ele foi para o meio da rua tentou se jogar na frente dos carros”, comentou o advogado. O servente foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, levado novamente a unidade de saúde e preso.

Na delegacia, o delegado Antônio Souza Ribas Júnior, da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro, lavrou a prisão. Em julho, Ribas havia informado que o pai chegou confessar a agressão, assim como a mãe. No entanto a defesa aponta que a conduta de policiais e investigadores podem ter influenciado nos depoimentos.

“Na delegacia houve uma pressão enorme e ela – mãe – acabou dizendo que o pai teria jogado a criança na parede, o que não ocorreu. Tanto que perante o juiz ela mudou a versão”, conta Cristiano. O servente é acusado de homicídio qualificado com dolo eventual, que na prática representa que mesmo sem intenção, o pai causou ação que levou a criança ao risco de morte.

Em uma primeira audiência sobre o caso, dia 9 de outubro, além da mãe, também foram ouvidas testemunhas e apresentados laudos que atestam que o rapaz sempre foi um bom e que teria condições de voltar ao convívio da família. Assim como os testes feitos com as crianças que reforçavam que elas sempre teriam sido bem tratadas pelo rapaz.

Depois de faltar a sessão, o médico que atendeu a criança também prestou depoimento no último dia 22 de outubro. Contudo, apesar da do posicionamento do MP de que o homem deve ser mantido preso o juiz responsável pelo caso expediu o alvará de soltura, na última terça-feira (06).

Entre esta quinta-feira (08) ou no máximo amanhã (09) pela manhã o servente de pedreiro, deve ser liberado do PTran (Presídio de Trânsito) onde está detido. O próximo passo da defesa é pedir a impronúncia da acusação de tentativa de homicídio para no máximo lesão corporal.

O caso – O casal e os filhos moram em residência da Vila Bordon em Campo Grande. No dia da prisão a mãe da bebê, disse que tinha saído de casa e quando voltou percebeu que a menina estava com vários hematomas e, ao questionar o que teria acontecido com ela, o pai já havia respondido que os machucados eram resultado de uma queda da cama.

Do UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica, os médicos acionaram a Polícia Militar e devido à gravidade dos ferimentos, a criança foi levada à Santa Casa. Pouco tempo depois o pai da criança foi preso. À polícia ele teria confessado as agressões, mas disse que estava arrependido do que fez.

A queda também provocou um ferimento em um dos braços da bebê, que precisou ser imobilizado. Os nomes não são divulgados para preservar a vítima, como prevê o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), em casos de abusos ou agressões.

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